O silêncio ensurdecedor de Flávio Bolsonaro diante do escândalo do Master

O filho "01", Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (Foto: Pedro França - Agência Senado)

A imprensa começou a alardear a “estranheza” diante do silêncio ensurdecedor do senador Flávio Bolsonaro, presidenciável da extrema-direita no país, diante do escândalo do Banco Master que resultou na falência da instituição e prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, e outros sócios da arapuca que abalou o sistema financeiro nacional, após anos de fraudes que lesaram não apenas “investidores”, mas também fundos previdenciários de vários estados e seus respectivos segurados.

O jornalista Lauro Jardim, de O Globo, em sua coluna, estranhou o motivo do silêncio do filho de Bolsonaro, após cinco meses de liquidação do Master.

O colunista lembrou, ainda, a postura diametralmente oposta adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do escândalo que continua rendendo fatos novos na medida em que avançam as investigações que estão sob a responsabilidade da Polícia Federal.

Na última quinta-feira (19), Lula sentenciou:

“Não deixaremos pedra sob pedra para apurar tudo o que fizeram, dando um rombo de R$ 50 bilhões neste país”, em contraste com a omissão do parlamentar sobre assunto tão rumoroso, destacado diariamente pelos meios de comunicação, especialmente aqueles que querem uma investigação séria sobre o episódio e a justa responsabilização dos que praticaram crimes, notadamente, durante o trágico governo Bolsonaro e elementos do círculo político de Flávio.

O partido do presidente também adotou uma postura crítica sobre o escândalo do Master. Em recente resolução política, o PT questiona a omissão de Flávio Bolsonaro sobre o escândalo, destacando a negligência do governo Bolsonaro na supervisão do setor financeiro e sua ligação com Daniel Vorcaro, o banqueiro acusado de fraude.

“O banco foi fundado e operou livremente durante o governo Bolsonaro, período em que acumulou fortes indícios de gestão fraudulenta”, afirma o PT.

A resolução do partido também acusa o ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, de ter permitido o crescimento do esquema de corrupção, sem realizar intervenções necessárias.

No entanto, o PT foca suas críticas diretamente em Flávio Bolsonaro, associando-o ao financiamento eleitoral de sua campanha e ao uso de recursos oriundos do Banco Master: “Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas”.

Além da publicação oficial, grupos de WhatsApp ligados ao PT têm propagado vídeos e conteúdos que associam Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Uma postagem, por exemplo, traz uma montagem que relaciona o nome de Flávio Bolsonaro com os contatos encontrados na agenda de Vorcaro. “A teia do escândalo BolsoMaster só cresce e todos os caminhos levam ao clã Bolsonaro”, diz o texto compartilhado nos grupos.

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa clara mudança de rota diante do caso do Master, afirmam que é necessário mostrar a realidade à sociedade brasileira: o escândalo surgiu e adquiriu grandes proporções durante o desgoverno Bolsonaro e sob a nefasta gestão de Campos Neto no BC.

O OVO DA SERPENTE SURGIU NO GOVERNO BOLSONARO

Segundo relato feita à Folha de S. Paulo por especialistas da área, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do BC, é suspeito de manipular informações sobre as operações do Banco Master quando estava à frente da pasta de Fiscalização do órgão, na gestão de Roberto Campos Neto, o bolsonarista que esteve à frente da autoridade monetária de 2019 a 2023.

Convocado, o ex-diretor não compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal sobre o crime organizado na quarta-feira (18), depois de ter sido desobrigado a comparecer por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Polícia Federal (PF), ele é suspeito de ter atuado como consultor de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. No início do mês, Mendonça determinou o afastamento do servidor pela via judicial. Desde janeiro seus acessos ao BC já tinham sido desligados.

Já o advogado Vladimir Timerman, em depoimento na CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, afirmou que o Banco Central (BC), sob a administração do bolsonarista Roberto Campos Neto, foi omisso diante das graves advertências e denúncias sobre a ação do crime organizado no sistema financeiro nacional.

Timerman atua no mercado financeiro e é fundador da Esh Capital. Ele apresentou-se recentemente e voluntariamente à CPI do Crime Organizado que está em andamento no Senado Federal e falou que acompanhou de perto as operações sob suspeita que envolveram precatórios, fundos e ativos ligados aos interesses de Daniel Vorcaro e Nelson Tanure, lembrando que, à época, não houve nenhuma manifestação dos órgãos responsáveis pela regulação do setor, no caso, o BC.

M. C.

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