A decisão do governador Cláudio Castro de organizar uma cerimônia de encerramento de mandato às vésperas de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral provocou forte reação do ex-prefeito Eduardo Paes, que afirmou que o movimento representa uma tentativa de “fugir da justiça”. A crítica foi feita publicamente e ganhou repercussão ao colocar em dúvida o objetivo da saída antecipada do cargo, marcada para ocorrer antes da análise de um processo que pode tornar o governador inelegível.
“Encerramento de mandato nada! Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça. Fugindo não! Pior! Desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu! Não podemos mais permitir que esse tipo de impunidade aconteça. Destruiu com seu grupo o Rio de Janeiro! Não passará impune! E ainda quer fazer o sucessor para continuar aprontando! Tenho certeza de que o TSE não admitirá esse tipo de chicana”, escreveu Paes.
Para Paes, a realização de um evento oficial de despedida não condiz com o momento político e jurídico enfrentado por Castro. Ele afirmou que não se trata de um simples encerramento de gestão, mas de uma estratégia para evitar as consequências legais de acusações em andamento. O processo no TSE envolve suspeitas de abuso de poder político e econômico durante as eleições, incluindo contratações realizadas por meio da Fundação Ceperj, que são alvo de questionamentos do Ministério Público Eleitoral.
A crítica se concentra principalmente no momento da saída do governador. A avaliação de aliados e adversários é de que a renúncia antes do julgamento pode influenciar o andamento do caso, ainda que não haja consenso jurídico sobre os efeitos práticos dessa decisão. Ao usar a expressão “fugindo da justiça”, Paes reforçou o argumento de que Castro estaria tentando evitar uma eventual punição.
Além de Castro, Paes também ampliou as críticas ao ex-governador Wilson Witzel, ao mencionar problemas recorrentes na administração estadual nos últimos anos. A declaração faz parte de um movimento mais amplo de posicionamento político, já que o ex-prefeito deixou o cargo para disputar o governo do estado.
Na mesma linha, Paes confirmou que será candidato ao Palácio Guanabara e afirmou que pretende “salvar o Rio de Janeiro”, destacando problemas como segurança pública, crise fiscal e dificuldades na prestação de serviços. A candidatura já era esperada, mas foi reforçada em meio ao cenário de instabilidade política envolvendo o atual governo.
Ao encerrar sua passagem pela prefeitura, Paes também publicou uma carta aberta em que faz um balanço da gestão e agradece ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio ao longo do mandato. No texto, ele destaca a parceria com o governo federal como fundamental para a realização de projetos na cidade e para a recuperação de áreas consideradas estratégicas.
O agradecimento a Lula é interpretado como um sinal de alinhamento político e deve ter impacto na formação de alianças para a eleição estadual. A carta também marca a transição de Paes da gestão municipal para a disputa pelo governo, reforçando sua intenção de ampliar a atuação no cenário estadual.











