Palestina que protestou nos EUA contra extermínio em Gaza é solta após um ano de detenção

Estudante Leqaa Kordia corre para abraçar parentes e amigos ao sair da prisão nos EUA (Tony GutierrezAP)

Palestina da Cisjordânia, Leqaa Kordia vive em New Jersey desde 2016 e participou dos protestos contra o genocídio em Gaza. O regime trumpista a encarcerou num centro de detenção no Texas desde março de 2025

“Há muita injustiça neste lugar”, disse a palestina Leqaa Kordia ao saír da prisão no centro de imigração dizendo que se juntou aos protestos de 2024 depois que Israel matou parentes seus em Gaza, onde ela mantém fortes laços pessoais. “Minha maneira de ajudar minha família e meu povo foi ir às ruas”, disse ela em entrevista à Associated Press.

As acusações contra ela por causa do protesto foram arquivadas e mantidas em sigilo. Informações sobre sua prisão foram posteriormente repassadas ao governo Trump pelo Departamento de Polícia da Cidade de Nova York, que alegou ter sido informado de que os registros eram necessários como parte de uma investigação de “lavagem de dinheiro”.

Kordia foi presa durante uma verificação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Nova Jersey, em 13 de março de 2025. Ela foi detida imediatamente e levada de avião para o Centro de Detenção de Prairieland, ao sul de Dallas.

Estava entre as várias pessoas presas depois que o governo Trump começou a usar seus poderes de fiscalização de imigração contra estrangeiros que criticaram ou protestaram contra as ações militares de Israel em Gaza, muitos deles estudantes e acadêmicos de universidades americanas.

Leqaa Kordia ergue a bandeira palestina em ato na Universidade de Colúmbia contra o genocídio em Gaza (Kraig Ruttle-AP)

Entre eles estava Mahmoud Khalil, um ex-alundo de pós-graduação da Universidade de Columbia, que foi preso em março passado e passou três meses detido em uma prisão de imigração na Louisiana, após liderar protestos na Universidade de Colúmbia, antes de ser libertado.

Mas, embora as prisões de ativistas universitários como Khalil tenham gerado condenação por parte de autoridades eleitas e defensores de causas, Kordia não era estudante, então seu caso teve menos atenção do público.

Autoridades federais acusaram Kordia de permanecer nos Estados Unidos além do prazo de seu visto, enquanto investigam os pagamentos que ela enviou a parentes no Oriente Médio. Kordia afirmou que o dinheiro era destinado a ajudar familiares que sofriam com a guerra.

Um juiz de imigração considerou haver “provas esmagadoras” de que Kordia estava dizendo a verdade sobre os pagamentos.

Em uma audiência na sexta-feira (13), os advogados de Kordia disseram que ela tinha uma condição neurológica que piorou enquanto estava sob custódia, colocando-a em alto risco de convulsões. Eles reiteraram que ela poderia ficar com familiares cidadãos americanos e que não representava risco de fuga.

A juíza de imigração, Tara Naslow, concordou.

“Ouvi depoimentos. Vi milhares de páginas de provas apresentadas pela parte ré e muito poucas provas apresentadas pelo governo em todo este processo”, disse Naslow.

Uma advogada do Departamento de Segurança Interna, Anastasia Norcross, afirmou que o governo se opunha à libertação de Kordia, independentemente da fiança.

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