Leão 14 carregou a cruz pelas 14 estações da Via Sacra que, no Coliseu, reproduz o percurso final de Jesus em Jerusalém
“A cruz faz parte da missão. A ocupação imperialista do mundo é desmantelada por dentro; a violência que até então era lei é desmascarada. O Messias pobre, aprisionado e rejeitado desce às trevas da morte, mas, ao fazê-lo, traz à luz uma nova criação”, escreveu o papa Leão 14 logo após rezar missa na Basílica de São Pedro, nesta quinta-feira, dia 2.
Na missa, realizada no Vaticano, o papa refletiu sobre a missão que Deus confiou ao seu povo, destacando que ela não deve nunca ser distorcida por “um desejo de dominação, totalmente alheio ao caminho de Jesus Cristo”.
O papa enfatizou ainda que “a cruz faz parte da missão: o envio se torna mais amargo e assustador, mas também mais libertador e transformador”.
Leão XIV já havia feito alerta – dirigido especialmente a Trump e Netanyahu -, no Domingo de Ramos (29), contra os “líderes que iniciam guerras e têm as mãos cheias de sangue”, direcionando seu pronunciamento, naquela ocasião aos que recorrem às guerras exatamente para exercer a dominação imperialista, à qual se referiu agora.
Para o papa o ataque ao Irã é “atroz” e Jesus nunca poderá ser invocado para que apoie uma guerra dessas.
No discurso proferido na Praça de São Pedro, durante as celebrações que marcam o início da Semana Santa para 1,4 bilhão de católicos do mundo, ele ressaltou que “este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz”.
Dirigindo-se diretamente ao inquilino da Casa Branca, o Papa enfatizou: “Soube que o presidente Trump declarou recentemente que gostaria de pôr fim à guerra”.
Prosseguindo, em tom de dúvida, conclamou: “Espero que ele esteja buscando uma saída. Espero que ele esteja buscando uma maneira de diminuir a violência e os bombardeios, o que seria uma contribuição significativa para eliminar o ódio que está sendo gerado e que aumenta constantemente no Oriente Médio e em outros lugares”.
“GUERRAS SÃO ESCÂNDALO PARA A FAMÍLIA HUMANA”
Indignado, o Papa acrescentou que a “morte e a dor provocadas por estas guerras são um escândalo para toda a família humana e um clamor diante de Deus”.
O Papa destacou ainda que continua “observando com consternação a situação no Oriente Médio” e que esse tipo de violência faz com que “outras regiões do mundo sejam dilaceradas pela guerra. Não podemos ficar em silêncio diante do sofrimento de tantas pessoas, vítimas inocentes destes conflitos”.











