“A escalada de tensões no mar do Caribe e ao longo da costa pacífica americana é motivo de grave preocupação (…) Isso se refere em particular à Venezuela, no que diz respeito aos acontecimentos recentes”, disse na sexta-feira (9) o papa Leão XIV, em seu primeiro pronunciamento diplomático desde que foi eleito, segundo o Vatican News .
Logo após a operação militar dos Estados Unidos que sequestrou o presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, ambos levados à força para um presídio de segurança máxima em Nova York, Leão XIV fez um alerta contundente contra a normalização dos conflitos armados e cobrou que governos de todo o mundo respeitem os direitos civis e políticos do povo venezuelano.
“Diante dos recentes acontecimentos, renovo meu apelo para que se respeite a vontade do povo venezuelano e se comprometa com a proteção dos direitos humanos e civis de cada pessoa e com a construção de um futuro de estabilidade e harmonia”, disse o pontífice no Vaticano, diante de 184 embaixadores credenciados à Santa Sé.
“É necessário construir uma sociedade fundada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade”, afirmou Robert Francis Prevost, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos da história da Igreja Católica e o também o primeiro vindo de um país de maioria protestante.
“PREOCUPA A FRAGILIDADE DO MULTILATERALISMO”
No fim de semana passado, Leão XIV já havia dito que acompanhava o desdobramento das tensões na Venezuela com “preocupação” e que era preciso proteger a “soberania” do país.
Durante o discurso ao corpo diplomático nesta sexta, ele alertou que “neste nosso tempo, preocupa particularmente a fragilidade do multilateralismo no plano internacional. Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está a ser substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados. A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias”.
“A paz não é mais buscada como um bem desejável em si mesmo, mas sim pela força das armas, como condição para afirmar o próprio domínio”, denunciou.
A propósito do direito internacional humanitário, Leão XI recordou que deve sempre prevalecer sobre as veleidades dos beligerantes: “A Santa Sé reitera com firmeza a sua condenação de qualquer forma de envolvimento de civis em operações militares”.











