Papa defende “diálogo sincero” após novas ameaças de Trump a Cuba

Papa Leão XIV durante missa na Praça de São Pedro. (EFE/EFE)

Unindo-se à mensagem dos bispos de Cuba, Leão XIV, o primeiro Papa norte-americano da história, convidou a promover um diálogo sincero e eficaz, a fim de evitar a violência e qualquer ação que prejudique o povo cubano, opondo-se assim às ameaças de Trump contra o país.

“Recebi com grande preocupação as notícias do aumento das tensões entre Cuba e os Estados Unidos da América, dois países vizinhos. Uno-me à mensagem dos bispos cubanos, convidando todos os responsáveis ​​a promoverem um diálogo sincero e eficaz, a evitarem a violência e qualquer ação que possa causar o sofrimento do amado povo cubano. Que Nossa Senhora da Caridade do Cobre auxilie e proteja todos os filhos dessa terra amada!”, afirmou o Papa desde o Vaticano.

“Não haverá mais petróleo nem dinheiro indo para Cuba: zero!”, ameaçou o ditador da Casa Branca, que na última quinta-feira assinou uma ordem executiva que permite aos Estados Unidos impor tarifas não especificadas a países que vendem petróleo para Havana. Ele disse que Cuba representa uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos EUA. E instou Cuba a aceitar “antes que seja tarde demais” um “acordo” cuja natureza não explicou.

ATAQUES CONTRA A POPULAÇÃO VIOLAM A MORAL E A LEI

Por ocasião do “Dia Nacional da Memória das Vítimas Civis das Guerras e Conflitos no Mundo”, celebrado na Itália, dirigindo-se a milhares de fiéis na Praça de São Pedro, o Papa lembrou que os ataques contra a população não combatente “violam abertamente a moral e a lei”.

“Os mortos e feridos de ontem e de hoje serão verdadeiramente honrados quando esta injustiça intolerável chegar ao fim”, afirmou.

Trata-se de um “costume antigo que acompanha o desenvolvimento dos Jogos”, explicou Leão XIV poucos dias antes da realização dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, de 6 a 22 de fevereiro, que serão seguidos pelos Jogos Paraolímpicos, de 6 a 15 de março.

“Esses grandes eventos esportivos constituem uma poderosa mensagem de fraternidade e reacendem a esperança de um mundo em paz”, acrescentou o pontífice, lembrando que esse era o objetivo da chamada “trégua olímpica”.

“Desejo que todos aqueles que têm a paz entre as nações em seus corações e ocupam posições de autoridade aproveitem esta oportunidade para realizar gestos concretos de distensão e diálogo”, expressou o Papa ao final da oração do Angelus em Roma.

CUBA É UMA NAÇÃO LIVRE, INDEPENDENTE E SOBERANA”

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel reagiu à nova agressão dos EUA, na quinta-feira (29), apontando que “demonstra a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo americano para fins puramente pessoais”.

Duas semanas antes, diante de 500 mil cubanos que foram às ruas de Havana prestar as últimas homenagens aos 32 cubanos mortos ao defenderem a soberania venezuelana frente ao ataque de Trump, Díaz-Canel afirmara: “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém dita o que fazemos. Cuba não ataca; ela é atacada pelos EUA há 66 anos. E não ameaça: ela se prepara, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue”.

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