“A continuidade do aperto nos juros, que chegou a 15% na metade do ano passado, resultou em queda de 0,4% na produção do segmento no primeiro semestre de 2025 e em recuo de 0,8% no segundo semestre do mesmo ano”
A “forte desaceleração” da produção industrial em 2025 de apenas 0,6% frente à alta de 3,1% em 2024, expressa nos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve como principal causa a política de “juros punitivos”, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Só em dezembro, o tombo foi de 1,2% em relação a novembro, a maior queda desde julho de 2024 (-1,5%).
Em nota divulgada logo após a apresentação dos dados oficiais sobre a indústria, a CNI reforça que o maior prejuízo foi da indústria de transformação, que registrou queda de 0,2% no ano passado. O resultado só não foi pior porque a indústria extrativa, que inclui mineração e extração de petróleo e gás, cresceu 4,9%. “Vale lembrar que a indústria de transformação vinha de crescimento de 3,7% em 2024”, adiciona a nota. “Segmento responsável por transformar matérias-primas em produtos, e que abrange a fabricação de alimentos, vestuário, veículos, eletrônicos, entre outros”.
“O patamar punitivo da taxa Selic encareceu o crédito ao setor produtivo, que segurou investimentos, e reduziu o apetite dos consumidores por produtos industriais. O prejuízo causado pelos juros altos é enorme: em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025”, afirma Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da entidade.
“A desaceleração industrial se deu a partir do segundo semestre de 2024, período em que o Banco Central iniciou o ciclo de aumento da taxa Selic. Depois de crescer 2,3% no primeiro semestre daquele ano, a indústria de transformação subiu 1,8% no semestre seguinte. A continuidade do aperto nos juros, que chegou a 15% na metade do ano passado, resultou em queda de 0,4% na produção do segmento no primeiro semestre de 2025 e em recuo de 0,8% no segundo semestre do mesmo ano”.
Segundo a CNI, os dados de produção física do IBGE corroboram com as pesquisas mensais da própria entidade, como a Sondagem Industrial. O impacto disso se fez perceber nos índices de confiança dos empresários industriais, que em janeiro de 2026, chegou ao patamar mais baixo dos últimos 10 anos. A perspectiva é que o Banco Central (BC) mantenha o aperto monetário em 2026, com os juros reais (descontada a inflação) do Brasil ainda no ranking das maiores do mundo.
“A falta de confiança, vale lembrar, faz com que os empresários deixem de investir, produzir e contratar, prejudicando o crescimento da indústria em 2026 e, consequentemente, da economia brasileira”, completa.
A entidade afirma que o aumento das importações também contribuiu para os resultados da indústria brasileira no ano passado. As compras de bens de consumo, bens de capital e bens intermediários saltaram 15,6%, 7,8% e 5,6% em 2025, “capturando parcela relevante do mercado interno”.











