Espanha diz que “Trump está brincando de roleta russa” com a vida de milhões de pessoas

‘Os EUA precisam seguir as regras do direito internacional”, afirmou Pedro Sánchez (AFP)

“Não seremos cúmplices de algo mau para o mundo por medo a represálias” dos Estados Unidos, afirmou o presidente espanhol

De forma categórica, o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, condenou nesta quarta-feira (4) o “seguidismo cego e servil” de vários governantes europeus à política belicista de Donald Trump que, desde 28 de fevereiro, abandonou a mesa de negociações com o Irã para desencadear uma política de bombardeio massivo o país persa. Por isso, sentenciou Sánchez, “a posição da Espanha se resume nas palavras Não à guerra!”.

O fato, assegurou o presidente espanhol, é que “não seremos cúmplices de algo mau para o mundo por medo a represálias” do governo dos Estados Unidos. De forma clara, repudiou as críticas de Trump sobre a sua postura de não autorizar o uso das bases militares espanholas e citou lembranças sangrentas da guerra do Iraque, para a qual a Espanha foi “arrastada” por outra administração estadunidense. Naquela oportunidade, pautou, sob o argumento mentiroso de que visava eliminar as armas de destruição em massa, trazer a democracia e garantir a segurança global. “Produziu o efeito contrário, desencadeou a maior onda de insegurança que o nosso continente sofreu desde a queda do Muro de Berlim”, sublinhou.

“EUA QUEBRARÃO UM DIREITO INTERNACIONAL QUE NOS PROTEGE A TODOS”

Conforme Sánchez, “ninguém sabe com certeza o que ocorrerá agora” e nem sequer “estão claros os objetivos dos que lançaram o primeiro ataque”, que tratará graves consequências para milhões de pessoas. “Não à quebra de um direito internacional que nos protege a todos, especialmente os mais indefesos, a população civil”, defendeu o dirigente europeu, rechaçando a posição dos que acreditam que “o mundo só pode resolver seus problemas a base de conflitos, de bombas e, finalmente, não se repetindo os erros do passado”, sentenciou.

“É PRECISO PARAR ESSA GUERRA ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”

A sua compreensão é de que “não se pode responder a uma ilegalidade com outra, porque é assim que começam os grandes desastres da humanidade”. O presidente exigiu “a cessação das hostilidades e uma resolução diplomática desta guerra” e que se “pare antes que seja tarde demais”:

Diante do iminente aumento do preço do gás e do petróleo, o presidente espanhol afirmou que “desde a Espanha somos contra este desastre” e descreveu como “inaceitável” que líderes que sequer são capazes de melhorar a vida das pessoas “utilizem a fumaça da guerra para esconder o seu fracasso e, no processo, encher os bolsos de uns poucos, os de sempre”.

“Não podemos jogar roleta russa com o destino de milhões de pessoas”, insistiu Sánchez, repetindo o apelo às potências envolvidas para “cessarem imediatamente as hostilidades e se comprometam com o diálogo”.

“Espanha está com os princípios fundadores da União Europeia, está com a Carta das Nações Unidas, está com o Direito Internacional e está com a paz e a existência pacífica entre os países e a sua coexistência”, concluiu Pedro Sánchez.

De forma ditatorial, Trump – que começou a bombardear criminosamente o Irã no meio das negociações – tem se posicionado contrário a qualquer diálogo, e execrado a postura do líder espanhol. Para o fascista estadunidense, “a Espanha tem sido terrível”. “Na verdade, eu disse ao Scott [Bessnet, secretário do Tesouro] para cortar todas as relações com a Espanha. A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la”, ameaçou Trump.

Após o discurso de Trump, o governo espanhol reforçou que os EUA precisarão seguir as regras do direito internacional e os acordos bilaterais de comércio com a União Europeia.

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