Peso dos juros freia a indústria em 2025, diz Iedi

Produção industrial brasileira caiu 1,2% na passagem de novembro para dezembro. (Foto: José Paulo Lacerda/Agência CNI)

“Indústria volta ao vermelho no último trimestre freada sobretudo pelos ramos produtores de bens de capital e de consumo duráveis”, aponta o instituto

Ao analisar os números da produção industrial de 2025, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) afirma que, devido a manutenção da Selic (taxa básica de juros) em 15% pelo Banco Central (BC), “o ano de 2025 terminou com a indústria brasileira de volta ao vermelho no último trimestre, freada sobretudo pelos ramos produtores de bens de capital e de consumo duráveis, que refletindo claramente o peso da conjuntura de elevadas taxas de juros sobre o setor”. 

De acordo com o IBGE, a produção da indústria brasileira caiu 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, puxada pelo desempenho negativo da indústria de transformação, que no mês retraiu 1,9%.   

No acumulado de 2025, o Iedi destaca que a indústria como um todo obteve um crescimento de apenas 0,6% que “contrasta com o ritmo de +3,1% de 2024, quando, pela primeira vez na última década, houve uma alta com certo vigor sem ajuda de uma base de comparação muito deprimida. Embora esta inflexão já seja decepcionante para um setor que está 13% abaixo do nível de produção de 2013 (isto é, antes da crise 2014-2016), não resume todas as más notícias”. 

“Tomada apenas a indústria de transformação, a produção encolheu -0,2% no acumulado jan-dez/25”, ressalta o Iedi. A indústria de transformação compõe mais de 80% da fatia da indústria brasileira.  

O instituto também afirma que o desempenho total da indústria no ano “esconde uma trajetória de rápida perda de dinamismo”. Pois, “no primeiro trimestre de 2025, a produção da indústria geral ainda crescia a um ritmo razoável, de +2%, terminando o ano em -0,5% no último trimestre. Novamente, na indústria de transformação o freio foi mais intenso: de +2,6% para -1,9%, respectivamente”. 

O Iedi destaca a evolução da produção por grandes categorias ao longo de 2025:  

•  Bens de capital: +4,5% no 1º trim/25; -2,3% no 2º trim/25; -2,5% no 3º trim/25; e -5,0% no 3º trim/25; 

•  Bens intermediários: +1,3%; +2,9%; +2,4% e -0,7%, respectivamente; 

•  Bens de consumo duráveis: +11,2%; +5,2%; -1,7% e -3,0%; 

 •  Bens de consumo semi e não duráveis: +1,2%; -5,3%; -3,0% e +0,7%. 

“Ademais, dentre os quatro macrossetores, três perderam produção no último quarto do ano, como mostram as variações interanuais acima”, afirma o Iedi. “Destaca-se a inflexão daqueles ramos mais sensíveis às taxas de juros, que reúnem a produção de bens de capital e bens de consumo duráveis. Em seu agregado, a alta de +6,1% no 1º trim/25 deu lugar a uma retração de -3,9% no 4º trim/25”, comenta. 

O instituto conclui sua análise afirmando que a expectativa de que a taxa Selic siga elevada em 2025, encerrando o ano em 12,25% a.a., segundo o boletim Focus/BC, “não traz boas perspectivas”.  

“A indústria deve ter mais um ano morno”. “Por outro lado”, avalia o Iedi, há fatores mitigadores, “como os investimentos em infraestrutura já “contratados” nas concessões e o quadro de emprego e renda, além de ações pontuais, a exemplo do programa Move Brasil, para renovação da frota de caminhões”.

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