Pesquisador da Fiocruz perseguido na pandemia por contestar cloroquina assume cargo estratégico na OMS

Foto: Fiocruz Amazônia

O médico brasileiro Marcus Lacerda, especialista em doenças infecciosas e pesquisador em medicina tropical pela Fiocruz Amazônia, foi nomeado pela direção geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) como diretor do TDR – Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais.

O pesquisador ganhou destaque nacional durante a pandemia da Covid-19, ao liderar o estudo que comprovou a ineficácia do uso da cloroquina contra o coronavírus. Na época, Lacerda enfrentou hostilidade política, chegando a precisar de escolta armada após sofrer ameaças e ataques nas redes sociais coordenados por defensores de tratamentos sem evidência científica. O médico também teve sua Ordem Nacional do Mérito Científico restituída recentemente, após ter sido revogada pelo governo Bolsonaro.

Com vasta experiência em pesquisas na área de Medicina Tropical, com ênfase em doenças infecciosas, Lacerda influenciou direta e profundamente as estratégias de eliminação da malária. À frente do TDR, o médico irá coordenar pesquisas voltadas para populações vulneráveis em países de baixa e média renda, com foco em políticas públicas eficazes para o combate a enfermidades como malária, HIV e doenças emergentes.

“Estou honrado e entusiasmado por assumir o cargo de diretor do TDR. Espero avançar na Estratégia TDR 2024–2029 e apoiar esforços para transformar evidências em impacto, especialmente onde as necessidades são maiores. Estou ansioso para trabalhar em parceria com países e comunidades para fortalecer capacidades, apoiar lideranças locais e construir sistemas sustentáveis e duradouros”, afirmou Marcus.

Nascido em Taguatinga, cidade satélite de Brasília (DF), Marcus Lacerda graduou-se em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), especializando-se em Infectologia pela Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no Amazonas, período em que começou o trabalho com comunidades remotas da Amazônia, e foi presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT).

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *