PF aponta indícios de que Vorcaro ordenou ataques virtuais ao BC

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está sendo investigado pela PF (Fotos: Divulgação - Vídeo - Banco Master)

Investigação identifica mensagens e estratégias para pressionar a autoridade monetária em meio às disputas regulatórias que envolvem o Banco Master

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria ordenado ataques sistemáticos ao BC (Banco Central) com o objetivo de descredibilizar a autoridade monetária e pressionar decisões regulatórias.

As informações constam em relatórios da investigação em andamento, aos quais os investigadores tiveram acesso, entre eles, um celular apreendido.

Segundo a PF, o material analisado aponta para a existência de estratégia coordenada de ataques institucionais, que incluiriam a disseminação de críticas públicas, narrativas de perseguição e tentativas de constranger dirigentes do BC.

Investigador afirmou, sob reserva, que “os elementos reunidos indicam atuação organizada e não episódica”.

MENSAGENS E CADEIA DE COMANDO

De acordo com a apuração, a PF analisou mensagens, documentos internos e registros de comunicação que sugerem que as ofensivas não partiram apenas de terceiros ou apoiadores, mas teriam sido orientadas a partir do núcleo de comando do banco.

A investigação trabalha com a hipótese de que Vorcaro teria conhecimento direto — e participação — na definição dessas ações.

“Há indícios de que as críticas públicas e ataques institucionais seguiam uma linha previamente estabelecida, com objetivos claros de pressionar o órgão regulador”, registra trecho do relatório policial.

CONTEXTO DE TENSÃO COM O REGULADOR


Os ataques ao Banco Central teriam ocorrido em contexto de tensão crescente entre o BC e o Banco Master, e envolviam questionamentos sobre práticas financeiras, modelos de negócio e exigências regulatórias.

Para os investigadores, o endurecimento da supervisão pode ter sido o gatilho para a escalada de confrontos.

Delegado envolvido no caso avalia que, se confirmada, a conduta “representa tentativa grave de enfraquecer a autoridade do sistema regulatório financeiro, com potenciais impactos sobre a estabilidade institucional”.

POSIÇÃO DA DEFESA

Até o momento, Daniel Vorcaro não foi condenado e a investigação segue em curso.

Procurada, a defesa do banqueiro afirmou, em nota, que ele “repudia qualquer acusação de ataque institucional” e sustenta que “todas as manifestações públicas relacionadas ao Banco Central ocorreram dentro dos limites da legalidade e da liberdade de expressão”.

A defesa acrescentou ainda que confia no esclarecimento dos fatos e que Vorcaro “permanece à disposição das autoridades”.

PRÓXIMOS PASSOS DA APURAÇÃO

A PF deve aprofundar a análise do material apreendido e não descarta novas oitivas, nem o compartilhamento das informações com outros órgãos de controle.

O caso também é acompanhado com atenção por integrantes do sistema financeiro e por autoridades do governo, diante da gravidade institucional das suspeitas.

A investigação segue sob sigilo parcial e ainda pode resultar em novos desdobramentos.

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