Investigação apura responsabilidades na venda de falsas carteiras de crédito consignado, negócio estimado em mais de R$ 12 bilhões
A Polícia Federal marcou nova rodada de depoimentos no inquérito que investiga denúncia de crimes financeiros que envolvem o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o BRB (Banco de Brasília), instituição do governo do Distrito Federal.
Ex-executivos de ambas as instituições financeiras foram intimados para esclarecer a participação na negociação que resultou na venda de carteiras de crédito consignado, consideradas fraudulentas pelos investigadores.
As oitivas devem ocorrer entre o fim de janeiro e o início de fevereiro e foram determinadas diretamente pela PF, que aprofunda a apuração sobre o papel individual de cada investigado no negócio estimado em R$ 12,2 bilhões.
QUEM FOI CONVOCADO
Entre os intimados estão o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, e o ex-diretor Luiz Antônio Bull, além do ex-diretor financeiro do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior, e do superintendente de operações financeiras do banco público, Robério Mangueira.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi chamado para prestar segundo depoimento, que reforça a linha de investigação sobre decisões tomadas no alto escalão da instituição.
FRAUDE EM CARTEIRAS DE CRÉDITO
A PF busca esclarecer como se deu a venda de carteiras de crédito consignado inexistentes ou sem lastro, negociadas pelo Master e adquiridas pelo BRB.
O foco é identificar quem autorizou, executou e se beneficiou da operação que gerou um dos maiores escândalos recentes envolvendo banco público.
Até agora, os investigadores já ouviram o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o próprio Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Os depoimentos ocorreram em 30 de dezembro, por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli.
CONFRONTO DE VERSÕES
Após as oitivas, a PF promoveu acareação entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, diante de versões divergentes sobre o negócio.
Segundo revelou o Estadão, Vorcaro criticou a atuação do Banco Central e afirmou que o Master honrou todos os compromissos financeiros.
O ex-presidente do BRB reconheceu que o banco público ainda não conseguiu recuperar os cerca de R$ 2 bilhões investidos na operação.
PROVAS E DESDOBRAMENTOS NO STF
A investigação segue analisando materiais apreendidos na Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro.
A expectativa da PF é que, até a data dos novos depoimentos, já tenha sido concluída a extração de dados de celulares apreendidos, que devem ser usados para confrontar os investigados.
O caso chegou ao Supremo após a apreensão, na residência de Vorcaro, de documento com menção a deputado federal, o que ampliou o alcance político da investigação e elevou a gravidade do inquérito.
Entretanto, na oitiva de 30 de dezembro, o nome do deputado federal não apareceu nos depoimentos, apesar dos questionamentos de Toffoli buscarem saber sobre o envolvimento de políticos no caso.











