PF descobre mais parlamentares envolvidos em falcatruas com emendas

Operação Overclean na caça aos desvios de emendas parlamentares (Foto: Divulgação - PF)

Investigação se amplia e identifica mais deputados no esquema. Aprofunda-se o cerco à rede de corrupção que drena recursos bilionários do orçamento federal

A Polícia Federal ampliou a investigação sobre o esquema de corrupção que envolve emendas parlamentares e agora identificou novos deputados federais envolvidos nos desvios.

A investigação — parte da chamada Operação Overclean — tramita sob sigilo no STF (Supremo Tribunal Federal), mas dados preliminares já indicam que o rastro do dinheiro pode ultrapassar a casa do bilhão de reais.

A ofensiva da PF, que começou em dezembro de 2024, inicialmente tinha como alvo prefeitos, servidores e 4 parlamentares citados no inquérito. Agora, mais 2 nomes de deputados foram incluídos na lista de investigados, embora os nomes deles ainda não tenham sido tornados públicos por determinação judicial.

“Verificamos movimentações atípicas e indícios robustos de que essas emendas não foram aplicadas para o fim que deveriam, o que exige aprofundamento das diligências”, afirmou delegado ligado ao caso sob condição de anonimato.

Em operações realizadas pelos federais, grandes quantias em dinheiro vivo foram encontradas escondidas em locais inusitados — de gavetas a objetos pessoais — em endereços ligados aos investigados.

ESQUEMA E MODUS OPERANDI

De acordo com a PF, o esquema gira em torno da destinação de recursos por meio de emendas parlamentares a obras e serviços superfaturados ou com indícios de fraude em contratos.

A investigação aponta que parte dos recursos pode ter sido utilizada para “ajustar” relações políticas ou mesmo financiar campanhas eleitorais, velho método reciclado que parece sair da cartilha de corrupção do Brasil sem nunca ser descartado.

O caso envolve, em especial, verbas que passam pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), órgão ligado ao Ministério da Integração Nacional, com forte presença de contratos com empresas que já estão na mira da Justiça.

REPERCUSSÃO NO SUPREMO

No STF, o ministro relator do caso, Flávio Dino, determinou série de diligências que incluem quebra de sigilos e cooperação com órgãos de controle.

Em outra frente, o tribunal já ordenou que o TCU (Tribunal de Contas da União) identifique e envie à PF lista detalhada de emendas parlamentares sem plano de trabalho aprovado, ambiente que facilita a investigação de desvios e irregularidades.

Líderes partidários e membros da Câmara ainda não se manifestaram oficialmente sobre os novos desdobramentos, mas setores da sociedade civil alertam que o episódio coloca sob novo escrutínio a prática de uso de emendas como moeda de troca política.

Algo que críticos definem como “tradicional, mas sempre surpreendentemente eficaz para dar trabalho à Justiça”.

HUMOR RUIM DOS COFRES PÚBLICOS

Para analistas ouvidos reservadamente, a expansão da investigação é “lembrete incômodo de que a corrupção no uso de emendas nunca saiu de moda”.

Observador político ironizou: “Ano novo, emendas velhas; esquemas reformados.”

Com a expectativa de que a PF continue a infiltrar o caso em outros Estados, o escândalo promete não ser apenas mais um capítulo nas manchetes, mas possivelmente ponto de inflexão sobre como o Legislativo lida com o próprio orçamento.

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