Inquérito apura se houve pagamento e atuação coordenada de influenciadores para deslegitimar a liquidação da instituição financeira
A investigação foi aberta e a PF (Polícia Federal) vai instaurar inquérito para apurar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido contratados para atacar o BC (Banco Central) e defender o Banco Master, liquidado no fim do ano passado.
A apuração mira a possível existência de pagamentos e de estratégia coordenada para questionar a decisão do regulador — o BC.
A abertura do inquérito foi confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em entrevista à GloboNews.
INFLUENCIADORES RELATAM PROPOSTAS
Nesta semana, os influenciadores de direita Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite afirmaram ter sido procurados por empresas de marketing para publicar vídeos sustentando a narrativa de que o BC agiu de forma precipitada ao decretar a liquidação do banco de Daniel Vorcaro.
O caso foi revelado pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no g1.
Segundo os relatos, o conteúdo buscava reverberar argumentos favoráveis ao Master e lançar dúvidas sobre a atuação do Banco Central. Mensagens trocadas entre intermediários e representantes das empresas teriam sido registradas em vídeo.
ATUAÇÃO COORDENADA SOB SUSPEITA
Levantamento da GloboNews identificou, no mesmo período, postagens de teor semelhante feitas por outros influenciadores que, juntos, somam mais de 36 milhões de seguidores apenas no Instagram.
A PF quer apurar se esses conteúdos foram patrocinados e se houve coordenação entre os perfis.
Procurada, a defesa do Banco Master afirmou, por óbvio, não ter conhecimento de qualquer contratação de influenciadores para atacar o BC.
REAÇÃO
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que detectou, no fim de dezembro, “volume atípico de postagens” que mencionam a entidade e seus representantes, relacionadas ao noticiário sobre a liquidação de instituição financeira.
Segundo a Federação, está em análise se houve ataque coordenado, embora já se observe redução significativa desse volume nos últimos dias.
FRAUDES SEGUEM NA MIRA DA PF
Paralelamente, a PF dará continuidade às investigações sobre suspeitas de fraudes que envolvem o Banco Master. A expectativa é colher novos depoimentos ainda neste mês de janeiro.
Investigadores avaliam já existirem indícios consistentes de irregularidades bancárias.
Os novos depoimentos de ex-diretores do Master e do BRB (Banco de Brasília), banco estatal do DF, devem ocorrer após a polêmica acareação no STF (Supremo Tribunal Federal) entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.
A decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo, foi alvo de críticas de juristas, já que a investigação ainda estava em curso e as oitivas não haviam sido concluídas.
OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO
A PF também analisa documentos, celulares e computadores apreendidos na operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro.
Na ocasião, Vorcaro e outros executivos do banco foram presos, mas liberados posteriormente mediante medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.











