PF prende aliado de Flávio “Rachadinha” em investigação sobre ligação com o CV

Flávio Bolsonaro, senador do PL do Rio (Foto: Saulo Cruz - Agência Senado)

Nova ordem de prisão aprofunda apuração sobre venda de influência e tentativa de infiltração do crime organizado em estruturas do Estado

A Polícia Federal cumpriu, nesta segunda-feira (9), nova ordem de prisão contra o ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena, investigado por conexões com integrantes do crime organizado.

O caso integra desdobramentos de operação que apura a atuação de intermediários políticos em benefício do CV (Comando Vermelho), uma das principais facções criminosas do País, com atuação, principalmente, no Rio de Janeiro.

As informações são do ICL Notícias.

Carracena é apontado como aliado político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, como preposto do pai. Segundo investigadores, ele teria participado de articulações que envolviam a intermediação de interesses de integrantes da facção nas estruturas do poder público no Rio de Janeiro.

Segundo o ICL Notícias, Carracena foi indicado ao órgão para o governo Cláudio Castro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Contudo, o secretário do Consumidor Gutemberg Fonseca, outro aliado de Flávio, afirma que foi ele quem indicou Carracena ao governo. Em nota, o senador negou a indicação de Carracena, mas não falou de sua relação com Gutemberg Fonseca.

Por meio de nota, investigadores afirmaram que a operação busca desmontar “esquema de corrupção e intermediação de interesses criminosos com possíveis ramificações dentro da estrutura pública”.

VENDA DE INFLUÊNCIA

De acordo com as apurações da PF, o grupo investigado atuaria na negociação de vantagens indevidas e na tentativa de obter proteção institucional para interesses ligados ao tráfico de drogas.

Interceptações e documentos apreendidos indicariam contatos entre investigados e integrantes do Comando Vermelho.

As investigações apontam que intermediários buscariam influenciar decisões administrativas e políticas para beneficiar a organização criminosa. Para os investigadores, o esquema teria como objetivo ampliar a capacidade de atuação da facção por meio de conexões políticas.

Investigador ouvido durante as apurações afirmou que a operação pretende “romper a cadeia de proteção política que permitia a atuação de interesses do tráfico dentro de instituições públicas”.

RELAÇÕES POLÍTICAS

Carracena ocupou cargos na Administração estadual e é considerado próximo de aliados políticos do senador Flávio Bolsonaro. A investigação examina o alcance dessas relações e se houve utilização de influência política para favorecer integrantes do grupo criminoso.

Até o momento, o senador não foi alvo das medidas judiciais relacionadas à nova fase da operação. A apuração, contudo, analisa mensagens, registros de contatos e outros documentos que podem esclarecer o grau de participação dos investigados.

Especialistas em segurança pública afirmam que a infiltração do crime organizado em estruturas institucionais é uma das principais estratégias das facções para ampliar poder de alcance e força.

DESDOBRAMENTOS

A nova fase da operação incluiu também mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça. O material recolhido pelos agentes será analisado para identificar possíveis novos envolvidos.

Caso as suspeitas sejam confirmadas, os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção e tráfico de influência, acusações que podem resultar em penas elevadas no sistema penal brasileiro.

“RACHADINHA”

Flávio Bolsonaro foi acusado de praticar “rachadinha” em seu gabinete quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. A prática de desviar dinheiro público, no caso da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), extorquindo parte dos salários de seus assessores e funcionários.  

O caso foi denunciado pelo Ministério Público, com base em dados do Conselho de Acompanhamento Financeiro (Coaf).

O Coaf detectou uma movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, seu aliado e do pai Jair Bolsonaro, entre 2015 e 2016.

Flávio foi denunciado pelo MP-RJ em 2020 sob acusação de peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa. Segundo os investigadores, o senador, segundo o MP, liderava uma quadrilha para recolher parte dos salários de funcionários fantasmas de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa para benefício pessoal.

A investigação não foi adiante. O STJ anulou a quebra de sigilos bancários e fiscais de Flávio Bolsonaro no caso da rachadinha. Provas foram anuladas.

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