A Polícia Federal vai focar na integração com outras instituições e no uso de tecnologias e dados para coibir crimes eleitorais, como compra de votos, e impedir a participação de facções criminosas no pleito de outubro, afirmou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Em seminário realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Andrei Rodrigues destacou a importância de um trabalho contínuo entre as eleições para garantir que o processo democrático não seja golpeado por crimes.
“Já temos um trabalho muito forte sendo feito, com operações realizadas, prisões e apreensões” ligadas ao crime organizado, declarou Rodrigues.
O diretor-geral da PF disse que nas eleições de 2024 foram realizadas 137 operações que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie, o que é um recorde. Já em 2025, sem eleições, foram feitas 91 operações envolvendo a temática de crimes eleitorais.
Andrei Rodrigues afirmou que o uso de tecnologia e técnicas de cruzamento de dados pode trazer resultados mais efetivos para o combate ao crime organizado. “É fundamental, garantidos todos os direitos legais, o acesso às bases de dados do TSE”, disse.
“Esses cruzamentos, associados aos resultados eleitorais e dados de doação de campanha, nos trazem um cenário melhor para a preparação das atuações de todos os órgãos que vão atuar nesse processo”.
As equipes da PF “estão trabalhando de maneira muito avançada para que a gente consiga, a partir de ferramentas nossas e bases de dados nossas, fazer os cruzamentos de informações e dali extrair bons resultados”, continuou.
Para a ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, os novos desafios exigem “respostas igualmente eficientes e inéditas” para “garantir liberdade absoluta para o cidadão escolher quem serão seus representantes”.
“Qualquer tipo de agravo, de restrição e de limitação indevida a esse direito político fundamental” precisa ser devidamente combatido, acrescentou.
“Temos assegurar que a eleição é um processo pelo qual cada eleitor, livremente, escolhe seu representante, sem que ele se submeta a pressões internas, nem à captura de sua liberdade de escolha – que é o que vemos com as novas tecnologias – e nem a possibilidade de haver abusos ou excessos de quem seja”, assinalou a ministra.
A presidente do TSE avalia que a disseminação de desinformação pode “levar à contaminação das eleições” e o eleitor ao engano. “Temos que garantir que esse tipo de situação não possa progredir”, destacou.
Andrei Rodrigues acrescentou que “precisamos separar muito bem o que é liberdade de expressão do que é cometimento de crime” e caracterizar “o que é desinformação, o que afeta o processo eleitoral e os eleitores”.











