Aquisições ocorreram às vésperas da liquidação do Banco Master e reforçam suspeita de fraude, desvio e ocultação de bens
São muitas aquisições sob suspeita. Empresas e firmas diretamente ligadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, compraram cerca de R$ 2 bilhões em bens no período em que a instituição financeira já apresentava insolvência material, enfrentava restrições de liquidez e caminhava para a liquidação decretada pelo BC (Banco Central) no fim de 2025.
As operações passaram a integrar o núcleo mais sensível das investigações da PF (Polícia Federal), que apura blindagem patrimonial deliberada e possível esvaziamento do banco antes da intervenção estatal.
Segundo investigadores, as aquisições envolveram imóveis de alto valor, participações societárias estratégicas e ativos estruturados, muitos desses registrados em nome de empresas do mesmo grupo econômico ou de estruturas criadas para dificultar o rastreamento do patrimônio real.
“Não se trata apenas do montante, mas do momento. As compras ocorrem quando o banco já estava tecnicamente quebrado”, afirmou investigador sob reserva.
DINHEIRO SOB RASTREIO
A PF trabalha com a hipótese de que recursos do próprio Banco Master tenham sido desviados para financiar essas aquisições, por meio de operações simuladas, contratos sem lastro e transferências internas entre empresas ligadas ao controlador.
As suspeitas incluem fraude bancária, gestão temerária, lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
“Toda a movimentação financeira está sendo desmontada peça por peça. Há sinais claros de circulação de recursos incompatíveis com a realidade econômica das empresas envolvidas”, disse outro investigador.
Relatórios preliminares indicam operações concentradas nos meses que antecederam a liquidação, período em que o banco já estava sob monitoramento intensivo do Banco Central.
LIQUIDAÇÃO E COLAPSO ANUNCIADO
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master após identificar rombo bilionário, operações de crédito sem lastro e graves falhas de governança.
A decisão, tomada no fim do ano passado, abriu frente criminal paralela à administrativa, agora orientada a esclarecer se houve retirada deliberada de recursos do banco para preservar o patrimônio do controlador.
Para investigadores, a coincidência temporal entre o agravamento da crise da instituição e o crescimento acelerado do patrimônio de empresas ligadas a Vorcaro não é circunstancial. “O que se investiga é se houve uma corrida para proteger ativos antes que o Estado intervisse [sic]”, afirmou integrante da apuração.
COMPLIANCE ZERO E PROVAS MATERIAIS
A PF analisa documentos, contratos, registros imobiliários, dados bancários, celulares e computadores apreendidos na operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro de 2025.
Na ocasião, Vorcaro e outros executivos do Master chegaram a ser presos, mas foram soltos mediante medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
As provas recolhidas sustentam a avaliação de que o banco já estava inviável quando parte relevante das aquisições foi realizada, o que pode caracterizar dolo e prejuízo direto a credores, investidores e ao sistema financeiro.
DEFESA E PRÓXIMOS PASSOS
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirma que todas as aquisições foram legais, realizadas com recursos lícitos e por empresas distintas do Banco Master.
Sustenta ainda que não há relação entre os investimentos e a situação da instituição liquidada.
A PF, no entanto, prepara novas oitivas ainda neste início de ano e não descarta pedidos de bloqueio, apreensão e indisponibilidade de bens, caso os indícios de fraude, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta sejam confirmados no avanço das investigações.











