PL de Bolsonaro ignora aliado para inflar bancada federal e gera revolta no União

Valdemar da Costa Neto e Bolsonaro. Foto: Reprodução - Youtube

Resultado da “janela partidária” mostra que o partido de Valdemar da Costa Neto, quando se trata de amealhar mandatos, não respeita, sequer, fieis seguidores

A “janela partidária”, o mecanismo pelo qual um parlamentar pode migrar de uma legenda para outra sem perder o mandato, encerrada no último dia 4 de abril, depois de ter se estendido por um mês, acabou por revelar o “vale tudo” por parte do Partido Liberal, o PL, de Jair Bolsonaro.

O partido presidido por Valdemar da Costa Neto, um fiel escudeiro do bolsonarismo, depois de inúmeras passagens por partidos do chamado “centrão”, não se fez de rogado e, no linguajar de integrantes da cúpula do União Brasil, “foi pra cima” de membros da legenda no Congresso Nacional.

“Quem quer aliança não pesca dentro do aquário”, avaliou um integrante do União, o partido que mais perdeu parlamentares para o PL, numa clara demonstração de insatisfação da postura de quem se diz aliado.

Aliado da boca prá fora, pois, quando se trata de amealhar mandatos, Valdemar e os bolsonaristas não respeitam mesmo aqueles que mantém fidelidade ao bolsonarismo, embora não tenham a mesma raiz política – e, na maioria dos casos, o fazem por razões meramente eleitorais.

O exemplo mais caricato dessa realidade é o de Santa Catarina, para onde o bolsonarismo exportou o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro para disputar uma vaga no Senado por aquele estado, enxovalhando o sempre aliado Espiridião Amin.

A mesma prática o PL adotou, agora, durante a “janela partidária”. Nomes como Alfredo Gaspar (AL), relator da CPMI do INSS; Mendonça Filho (PE), relator da PEC da Segurança Pública; e Rodrigo Valadares (SE), relator da primeira versão do projeto de anistia, migraram para o partido de Bolsonaro, o que gerou um indisfarçável incômodo entre o União Brasil, que perdeu 8 deputados federais, e o PL, que reforçou sua bancada em mais 10.

Todos eram do União e se filiaram ao PL. Além destes, outros sete deputados fizeram o mesmo movimento. O saldo considera o balanço entre os que ficaram e os que saíram.

Um dos incômodos, segundo interlocutores da legenda, é que o União Brasil serviu de “barriga de aluguel” para vários deputados, que se beneficiaram de postos de protagonismo e depois “pularam fora”.

Citam, como exemplo, o caso de Alfredo Gaspar, que foi escolhido para compor a CPMI do INSS na cadeira do União Brasil.

“A gente investe postos importantes para ‘o cara’ sair? Poderíamos ter potencializado outro candidato”, reclamou uma fonte do União.

O agravante no caso de Alfredo Gaspar é que, ao migrar para o PL, pode acabar se tornando um adversário da federação União-PP em Alagoas, onde ainda não decidiu se vai concorrer ao Senado.

Se essa possibilidade se confirmar pode dificultar a candidatura do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Outra hipótese seria uma candidatura de Gaspar ao governo do estado.

Outros integrantes do União Brasil avaliam que o encolhimento da bancada “já era esperado” por causa da federação com o PP. Antes da janela partidária, a bancada tinha 59 deputados; agora, terá 51.

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