
Essa pauta não é da Câmara, não é do Senado e tampouco do povo brasileiro. O PL da anistia é do bolsonarismo para beneficiar diretamente o ex-presidente
A tentativa de o PL (Partido Liberal) aprovar, em caráter de urgência, o projeto de lei — PL 2.858/22 —, do ex-deputado bolsonarista Major Vitor Hugo (PL-GO), que concede anistia a presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 perdeu força na Câmara dos Deputados.
A legenda, que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda não conseguiu as assinaturas de líderes e agora tenta reunir individualmente as 257 assinaturas necessárias para levar o requerimento de urgência à votação no plenário da Câmara.
O partido conseguiu apenas 173 assinaturas no requerimento. Faltam 84.
Segundo o líder da sigla na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), o PL já tem o apoio de 173 parlamentares. Diante da falta de adesão dos líderes partidários, a legenda agora busca apoio individual de deputados — estratégia considerada mais trabalhosa e com maior risco de desgaste político.
“KIT OBSTRUÇÃO”
Ao longo da semana, o PL apostou em estratégia de obstrução para pressionar a presidência da Casa a pautar o projeto. Sessões e votações foram interrompidas ou esvaziadas por meio do chamado “kit obstrução”, que inclui manobras como retirada de pauta, pedidos de verificação de quórum e discursos prolongados.
A pressão, no entanto, irritou partidos do chamado Centrão e acabou perdendo fôlego. As comissões voltaram a funcionar e as votações foram retomadas.
A expectativa do PL era de que líderes de outras legendas aderissem formalmente ao requerimento, o que não ocorreu. Parte da resistência se deve ao perfil sensível e politizado da proposta, mas também à falta de sinal claro do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre o tema.
“GOELA ABAIXO”
Nos bastidores, líderes do Centrão acusam a ala bolsonarista de tentar “empurrar o projeto goela abaixo”, sem negociação. A avaliação é de que a postura beligerante do PL tumultua o ambiente político e pode comprometer futuras articulações no Congresso.
Motta, por sua vez, tem adotado tom moderado e institucional. Na semana passada, em discurso no plenário, defendeu “equilíbrio, pragmatismo e desprendimento político”, isso, a fim de evitar se comprometer com pautas que gerem atrito com o STF (Supremo Tribunal Federal).
“Não é hora de seguirmos ninguém, mas de agirmos com desprendimento político, sem mesquinhez, agirmos com altivez, mas sem falsos heroísmos”, afirmou.
PAUTA EXCLUSIVA DO BOLSONARISMO
Apesar disso, Sóstenes sustenta que os líderes não assinaram o requerimento de urgência por orientação de Motta — o que é contestado nos bastidores.
Líderes partidários ressaltam que não precisam de autorização da Presidência para endossar requerimentos e que, no caso da anistia, preferem esperar cenário mais favorável à aprovação.
Mesmo com o revés, o PL promete manter a pressão.
Sóstenes afirmou que, a partir de segunda-feira (7), vai iniciar nova rodada de coleta de assinaturas em reuniões de bancada. A legenda também pretende manter a obstrução como forma de pressão, apesar da resistência de outras siglas.
PAUTA DO BOLSONARISMO
Essa pauta não é da Câmara, não é do Senado e tampouco do povo brasileiro. O PL da anistia é do bolsonarismo para beneficiar diretamente o ex-presidente, embora o chamado “pano de fundo” sejam os golpistas que destruíram as sedes dos 3 poderes, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Daí, diante do fato de essa pauta não mobilizar a política real do País, ninguém, a não ser os bolsonaristas, tentam levá-la à pauta do Congresso.
Por essa razão, apenas o PL trava a luta contra a realidade política do Brasil. E, assim, está isolado na Câmara e no Senado.