Pretti foi executado pelos nazis do ICE com 3 tiros pelas costas

Alex Pretti, agredido antes de ser assassinado (Reuters)

O enfermeiro Alex Pretti, cidadão norte-americano e branco de 37 anos, foi morto pelas costas com três tiros pela milícia anti-imigração de Trump ICE, segundo depoimento juramentado de uma testemunha, um profissional médico, que tentou prestar socorro no local. Ainda de acordo com a testemunha, Pretti também tinha uma perfuração na parte superior esquerda do tórax e outro possível ferimento de bala no pescoço.

O depoimento juramentado é parte de um processo aberto pela maior entidade de defesa das liberdades democráticas nos EUA, a Associação Americana pelos Direitos Civis (ACLU, na sigla em inglês) contra o ICE e o governo Trump, em meio à indignação geral contra a execução a sangue frio e contra as asquerosas mentiras da Casa Branca sobre o enfermeiro, acusado de atacar os milicianos “armado” e “disposto a tudo”.

Os depoimentos e vídeos estão fazendo desmoronar a alegação de que se trataria de “legítima defesa” de parte dos milicianos anti-imigração de Trump, “tiros defensivos”.

No total, 10 tiros foram disparados em menos de cinco segundos, de acordo com análise conduzida por Robert Maher, professor da Montana State University especializado em áudio forense, como registrou a ABC News.

Pelo menos foram dois os atiradores. O profissional médico – cujo nome segue sem ser divulgado, por uma medida de proteção às testemunhas -, disse ainda que viu o momento dos disparos da janela do seu apartamento, nas imediações, e que, antes, presenciara Pretti gritar com os policiais, “mas não atacar os policiais ou sacar qualquer tipo de arma”.

Outro depoimento juramentado que desmente e desmoraliza as mentiras do governo Trump sobre a execução extrajudicial do enfermeiro no meio da rua em Minneapolis, também para o processo da ACLU, foi prestado pela mulher de casaco rosa, vista em vários vídeos, e que se identificou como “animadora infantil especializada em pintura facial”. Aparentemente, são dela os gritos, ouvidos num vídeo, de “que porra que vocês fizeram, por que porra o mataram?”.

É dela o vídeo mais nítido do assassinato do enfermeiro. Ela relatou que estava no local “documentando o que o ICE está fazendo com meus vizinhos”. Ela testemunhou que em nenhum momento Pretti empunhou uma arma.

A mulher do casaco rosa descreveu que o enfermeiro filmava com seu celular a atuação do ICE e ajudava a direcionar o tráfego ao redor de um comboio de veículos federais. Na sequência, o enfermeiro se aproximou de outros dois observadores no local enquanto eram ameaçados com spray de pimenta. Um deles foi empurrado ao chão. Um agente então borrifou spray no rosto dos três, e Pretti colocou as mãos acima da cabeça – para mostrar que não era ameaça – e foi borrifado novamente e empurrado.

“Os agentes derrubaram o homem ao chão. Eu não o vi tocar em nenhum deles, ele nem estava virado para eles. Não parecia que ele resistia, apenas tentava ajudar a mulher a se levantar. Eu não o vi com uma arma [em mãos]”, ela relatou. “Eles o jogaram no chão. Quatro ou cinco agentes o imobilizaram e começaram a atirar nele. Atiraram tantas vezes… Eu não sei por que atiraram nele. Ele só estava ajudando. Eu estava a um metro e meio dele, e eles simplesmente atiraram.”

A primeira testemunha, o profissional médico, contou que, ao ser finalmente autorizada a passar, ficou sobre o motivo da vítima estar deitada de lado e em vez de os agentes estarem verificando seu pulso ou realizando RCP, “pareciam contar seus ferimentos à bala”.

“MENTIRA SOBRE NOSSO FILHO”

Também a família do enfermeiro assassinado repudiou “as mentiras nauseantes contadas sobre nosso filho” pelo governo Trump. “Alex claramente não está segurando uma arma quando é atacado pelos assassinos de Trump e covardes capangas do ICE. Ele está com o celular na mão direita e a esquerda vazia está levantada acima da cabeça enquanto tenta proteger a mulher que o ICE acabou de derrubar, tudo isso enquanto é borrifado com spray de pimenta… Por favor, conte a verdade sobre nosso filho. Ele era um homem bom.”

Alex Pretti morreu lutando contra o terrorismo de Trump (Redes Sociais)

Ex-colegas também deram seu testemunho sobre Pretti, um sujeito tranquilo e que adorava sua profissão, elogiado pela dedicação como enfermeiro de um hospital dos veteranos e “cientista junior”, que possuía arma legalmente sob a legislação de Minnesota e sem antecedentes criminais. Como registrou o Common Dreams, foi morto por ter ido ajudar outro manifestante acossado pelo ICE.

Em ano de decisão sobre quem controla o Congresso dos EUA, a execução extrajudicial engrossa o repúdio à perseguição aos imigrantes, como bodes expiatórios da decadência imperial dos EUA, desencadeada pela ditadura Trump. O clamor “fora ICE”, “feche o ICE” e, agora, “Justiça para Pretti”, toma as ruas no país inteiro e se soma ao “Justiça para Good”. Esta, a mãe de três filhos assassinada com um tiro na cabeça por outro facínora do ICE menos de três semanas antes.

A palavra de ordem, usada pelos povos sob ocupação norte-americana, agora volta para casa, como visto em Minneapolis, com uma multidão confrontando os esbirros de Trump, que assassinaram o enfermeiro: “go home”.

Nos últimos meses, o governo Trump matou vários imigrantes durante sua caçada no país inteiro, além de pelo menos três mortos quando sob custódia do ICE. Deportou a rodo – embora não tenha superado o recorde de Obama e vem passadno por cima de qualquer limite ao seu arbítrio – da invasão de casas sem mandato judicial, à investida contra escolas, tribunais, igrejas e locais de trabalho. E, até o sequestro de crianças imigrantes, para chantagear os pais.  Agora, em menos de 30 dias, são dois cidadãos norte-americanos, brancos, os liminarmente executados pelo ICE, evidenciando que é ainda maior o alvo do fascismo à moda americana e sede de ditadura de Trump.  

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