Indústria de transformação tem alta de 1,0% e a indústria extrativa mais 1,1%
A produção industrial brasileira avançou 0,9% em fevereiro, marcando o segundo mês consecutivo de recuperação do setor, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (2).
Entre janeiro e fevereiro, a produção física da indústria cresceu 3%, após acumular três meses de queda no final do ano passado. Na comparação com fevereiro de 2025, porém, o setor registrou recuo de -0,7%. Segundo o IBGE, a produção industrial encontra-se atualmente 14,1% abaixo do nível mais alto da série histórica, registrado em maio de 2011.
Segundo assinalou a Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a indústria voltou a ampliar a produção em fevereiro, mas “perdeu ímpeto” em relação a janeiro deste ano, ficando no vermelho em relação a fevereiro do ano passado.
BENS DE CAPITAL ACUMULA QUEDA DE 12,5% EM JAN-FEV/26
A entidade aponta os efeitos dos juros elevados sobre a produção industrial.
“Aqueles que caíram mais estão mais vulneráveis ao patamar elevado de juros. A produção de bens de capital recuou -12,5% em jan-fev/26, com queda igualmente de dois dígitos na grande maioria de seus componentes. Bens de capital para a própria indústria encolheram -10,8% no período”, ressalta o Iedi. “Bens de consumo duráveis, por sua vez, apresentaram queda de -6,8%, isto é, mais do que o dobro da queda do último trimestre de 2025. A produção de eletrodomésticos foi responsável pela piora mais intensa (-2,2% no 4º trim/25 e -12,6% em jan-fev/26). Cabe notar que desde meados de 2025 a produção de automóveis está no vermelho”.
Sobre a produção de bens de consumo semi e não duráveis, o Iedi diz que “evitou o sinal negativo, mas não se distanciou muito da mera estabilidade. Registrou +0,4% em jan-fev/26 ante jan-fev/25. Apesar disso, não deixou de contar com segmentos em grande declínio”, destacou que os resultado negativo nos setores que refletem o consumo das famílias, “premido pelos elevados índices de endividamento em uma conjuntura de taxas altas de juros”.
“Este foi o caso de têxteis, com -11,8% em jan-fev/26, isto é, um recuo duas vezes mais intenso que no final de 2025 (-5,9% no 4º trim/25). Foram também os casos de calçados (-11,1% ante jan-fev/25) e vestuários (-11,2%)”.
Os bens intermediários “parecerem estar conseguindo ganhar tração e reverter o declínio do último quarto de 2025”.
Em jan-fev/26, sua produção cresceu +1,1% ante -0,8% em out-dez/25, sempre na comparação interanual. Melhoraram defensivos agrícolas, celulose e siderurgia. A produção da indústria alimentícia também cresceu mais fortemente nesta entrada de ano.
Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a recomposição de estoques, associada à contratação governamental de projetos de infraestrutura, é apontada como um dos fatores que garantiram este “fôlego” de início de ano. Ainda assim, ao comentar os resultados da pesquisa mensal do IBGE, a entidade ressalta que os números, por enquanto, apenas compensam as perdas do final do ano passado, e que o setor continua enfrentando um cenário desafiador com as taxas de juros ainda elevadas.
“O cenário externo mais incerto diante do conflito no Oriente Médio e, apesar do processo de redução da Selic, a manutenção da taxa de juros em patamares elevados devem prejudicar o setor ao longo de 2026. Por outro lado, as medidas do governo voltadas ao estímulo da demanda constituem vetores altistas para a atividade ao longo do ano”, afirma a Fiesp. A entidade projeta crescimento de 0,9% da produção industrial em 2026.
SETORES
Dos 25 ramos pesquisados, 16 apresentaram crescimento em fevereiro. As principais influências positivas vieram dos setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (+6,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+2,5%) e máquinas e equipamentos (+6,8%).
Por outro lado, entre os nove setores que registraram queda na produção, o principal impacto negativo veio de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%).











