Produção industrial paulista cai 2,2% em 2025

Foto: José Paulo Lacerda/Agência CNI

“Ao longo de 2025 foi intensa a perda de dinamismo industrial devido às elevadas taxas de juros praticadas no país”, diz Iedi

A produção da indústria brasileira, na passagem de novembro para dezembro, caiu 1,2%, com recuos nos 12 dos 15 locais pesquisados. Com o resultado de dezembro, 2025 termina com crescimento de apenas 0,6% em relação a 2024, apresentando taxas positivas em 10 dos 18 locais analisados. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na terça-feira (10).

Assim como empresários da indústria vem apontando, o IBGE destaca os efeitos danosos dos juros elevados sobre o setor produtivo. “Tivemos um espalhamento de taxas negativas nessa passagem de novembro para dezembro. A taxa de juros em patamares elevados e uma política monetária contracionista ajudam a explicar os resultados”, avalia Bernardo Almeida, gerente da pesquisa do IBGE.

O estado de São Paulo, que responde por cerca de 33% da produção industrial do país, tombou 2,2% em 2025. Em dezembro sobre novembro recuou 1,6%, atingindo a quarta taxa negativa seguida, acumulando 4,7% de perda no período. Os setores de alimentos e produtos químicos foram os mais influentes nesse comportamento da indústria paulista.

Contribuíram também para o desempenho negativo em São Paulo, os setores de derivados do petróleo, com quedas na produção de álcool etílico, óleo diesel, gasolina automotiva, asfalto de petróleo e naftas, e o setor farmacêutico, que também exerceu impacto significativo ao registrar redução na fabricação de medicamentos.

“Vale salientar que, com esse resultado, SP encontra-se 4,4% abaixo do patamar pré-pandemia e 25,1% abaixo do patamar mais alto, alcançado em março de 2011”, ressalta o analista.

“Ao longo de 2025 foi intensa a perda de dinamismo industrial devido às elevadas taxas de juros praticadas no país. Um obstáculo há muito tempo conhecido pela indústria e que bloqueia seus investimentos e sua modernização”, manifestou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial Iedi, ao avaliar o resultado da produção industrial em 2025. “Para a indústria geral, a alta de +2% no início de 2025 deu lugar a uma retração de -0,5% no 4º trim/25 e só não foi pior devido a ramos menos sensíveis aos juros, como o extrativo. Já a indústria produtora de bens duráveis para consumo e investimento, cujos mercados são mais sensíveis às taxas de juros, viu seu resultado encolher de +6,1% no 1º trim/25 para -3,9% no 4º trim/25”.

Os números de 2025 ficaram muito a dever em relação aos resultados de 2024, quando indústria brasileira cresceu 3,1% em comparação com 2023. Resultado este que foi o terceiro maior crescimento anual do setor em 15 anos, impulsionado pelo aumento do emprego, da renda e do consumo das famílias. Apesar da alta anual, o setor acumulou queda de 1,2% no último trimestre de 2024, indicando perda de ritmo, quando o Banco Central iniciou um ciclo de aumento dos juros que culminou com a Selic no atual patamar de 15% ao ano, travando os investimentos e o consumo.

A indústria de transformação, coração da atividade, na avaliação anual da especialista em Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Larissa Nocko, está “colhendo os efeitos prolongados do patamar elevado das taxas de juros”.

Dos 10 entre os 18 locais pesquisados que mostraram os avanços mais significativos na produção industrial em 2025, o Espírito Santo (11,6%) – impulsionado em grande parte, pelas atividades de indústrias extrativas (óleos brutos de petróleo, minérios de ferro pelotizados e gás natural) – ficou na primeira classificação. O Rio de Janeiro (5,1%) ficou em segundo lugar, em razão das indústrias extrativas (óleos brutos de petróleo e gás natural).

Santa Catarina (3,2%), Goiás (2,4%), Rio Grande do Sul (2,4%), Minas Gerais (1,3%) e Pará (0,8%) também apontaram taxas positivas acima média nacional (0,6%), enquanto Paraná (0,3%), Bahia (0,3%) e Amazonas (0,1%) completaram o conjunto de locais com baixo crescimento na produção em 2025.

Além de São Paulo, as regiões que ficaram no vermelho estão: Mato Grosso do Sul (-12,9%), principalmente, pelo comportamento negativo vindo das atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (álcool etílico) e o Rio Grande do Norte (-11,6%), em razão do recuo do coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (óleo diesel e gasolina automotiva). Mato Grosso (-5,8%), Maranhão (-5,1%), Pernambuco (-3,8%), Região Nordeste (-0,8%) e Ceará (-0,6%) também mostraram resultados negativos no índice acumulado para os doze meses do ano.

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