As regras para contratação, atribuição de aulas e manutenção de vínculo de professores temporários na rede estadual paulista foram alteradas em 2026 e passaram a prever impedimentos de até três anos para docentes que tiverem contratos encerrados por descumprimento de exigências legais ou contratuais. Para professores da rede, a mudança representa um retrocesso e amplia a insegurança profissional, sendo classificada como “cruel” pelos servidores, enquanto a Secretaria da Educação afirma que as alterações atendem à “necessidade do serviço”.
As medidas constam na Resolução Seduc nº 8/2026, publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 26 de janeiro.
“A gestão Tarcísio ataca novamente os professores da rede estadual. Com a Resolução SEDUC nº 8/26, promovem uma demissão em massa, extinguem os contratos dos Categoria O e ainda proíbem o retorno desses profissionais por três anos. Isso não é gestão, é crueldade. Milhares de educadores ficam sem renda e sem futuro,” denunciou o professor e vereador do PT em Valinhos Marcelo Yoshida, pelo Instagram.
A categoria O é composta por professores contratados temporariamente pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP), o que por si só já evidencia um ataque à profissão, pois, nessas condições, os profissionais não têm estabilidade nem direitos assegurados. Além disso, o Estado se exime de seu papel de garantir uma educação de qualidade, que passa pela valorização docente por meio da realização de concursos públicos, da existência de um plano de carreira, de salários dignos e de condições adequadas de trabalho.
O enfrentamento do cenário imposto pela gestão bolsonarista de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e de seu secretário da Educação, Renato Feder, exige unidade e mobilização, avalia o educador. “A resposta precisa ser coletiva: unidade, mobilização e greve. Nenhum professor a menos”, defende.
A posição do vereador vai de encontro ao proposto pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). “Estamos firmes, estamos fortes e resistentes contra os ataques de Tarcísio de Freitas e seu governo. Chega de autoritarismo! Em 2026 vai ter greve!”, sustenta a entidade.
A publicação desencadeou uma série de reações entre professores da rede estadual, que utilizaram o espaço de comentários para expressar indignação e apoio ao posicionamento de Yoshida. Entre as manifestações, docentes escreveram: “A pior notícia do Tarcísio é sempre a próxima. Ele odeia os professores!”
Também aparecem mensagens que associam a mobilização a uma resposta política mais ampla. Um professor escreveu: “Vamos lá professores. Se vingue dele nas urnas.” Já outro desabafou: “Sou professor… estamos cansados… nos ajudem na política, por favor! Não merecemos o que está acontecendo conosco.”
Entre as reações, há ainda críticas diretas ao governo estadual e preocupação com o futuro da educação pública. Um dos comentários diz: “Vamos tirar esse cara do nosso Estado” Outro aponta: “Só não enxerga quem não quer, o Feder acabou com Paraná, e o povo só acordou quando ele privatizou parte das escolas. Agora ele quer fazer o mesmo com SP.” Também surgem questionamentos sobre a cobertura do tema: “Por que as mídias da TV e jornais não estão mostrando essas situações dos professores de São Paulo?”
As manifestações refletem um sentimento de insegurança e revolta diante das novas regras, que, na avaliação de docentes, ampliam a precarização do trabalho e aumentam o risco de afastamento de profissionais experientes das salas de aula. Para a categoria, a decisão não representa apenas uma mudança administrativa, mas um fator de instabilidade que impacta diretamente a continuidade pedagógica nas escolas estaduais, além de desemprego.











