O presidente de Israel, Isaac Herzog, em repudiada visita à Austrália, inventou a desculpa pela proibição da entrada de jornalistas em Gaza, alegando que a intenção seria a de “protegê-los” para que “não se machuquem”
Com certeza não seria para encobrir os crimes que os militares israelenses cometeram contra civis palestinos. Desde outubro de 2023, Israel matou mais de 72.000 pessoas, na maioria mulheres e crianças, 171.000 foram feridos, cerca de 90% da infraestrutura de Gaza foi destruída. Gaza tem o maior número per capita de crianças com amputações no mundo, mais 21.000 crianças.
Herzog descreveu Gaza como “uma área muito densa cheia de armadilhas, cheia de munições e bombas”. Uma desculpa esfarrapada do PM israelense que contrasta com o número de jornalistas de Gaza, que foram mortos em ataques pelas forças de Israel: 265 jornalistas nos últimos 3 anos por registrarem os crimes guerra cometidos pelas tropas do regime israelense.
Entre os casos mais escabrosos da maior chacina de periodistas em um conflito armado, destacamos dois ataques que aconteceram em agosto do ano passado em Gaza e horrorizaram a comunidade internacional que vem rejeitando os crimes de Israel:
Em 11 agosto de 2025, Israel executou um ataque deliberado contra uma tenda que abrigava jornalistas do lado de fora do hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza. Anas al-Sharif, de 28 anos, trabalhava para a Al Jazeera e mais três de seus colegas foram mortos no ataque criminoso a um local conhecido por reunir jornalistas.
Em 25 de agosto de 2025, as forças de Israel executaram um bombardeio duplo contra o hospital Nasser, em Khan Younis, matando 22 pessoas incluindo 5 jornalistas. No primeiro ataque, os israelenses atingiram o último andar do prédio do hospital Nasser, o segundo ataque, lançado minutos depois, atingiram equipes de resgate que usavam coletes laranjas que estavam acessando a escadaria externa do hospital e os jornalistas que acorreram ao local para reportar o primeiro ataque.
Os jornalistas, Mohammad Salama, da Al Jazeera, o cameraman da Reuters, Hussam al-Masri, a jornalista da Associated Press, Mariam Abu Daqqa, os jornalistas freelancers, Ahmed Abu Aziz e Moaz Abu Taha foram mortos no bombardeio executado pelos israelenses.
Muitos dos jornalistas foram mortos juntos de suas famílias, bombardeados enquanto se abrigavam em campos de refugiados ou em suas residências longe da zona de combate. Alguns ataques como os citados eliminaram equipes de reportagem inteiras.
A viagem de Herzog para a Austrália provocou uma onda massiva de protestos em várias cidades do país. Os manifestantes acusam Herzog de incitação do genocídio, nos últimos dias da visita de Herzog, houve manifestações nas cidades de Melbourne, Sydney e Camberra.
Em 2023, Herzog fez declarações acusando todos os palestinos que vivem em Gaza pelos ataques do Hamas em outubro de 2023.
“É uma nação inteira que é responsável. Não é verdade, essa retórica sobre civis que não estavam cientes ou não estavam envolvidos. Não é absolutamente verdade,” disse Herzog.
No ano passado, uma comissão especial da ONU concluiu que os comentários de Herzog “podem razoavelmente ser interpretados como incitamento à chacina”.
Proibição a jornalistas em Gaza foi para “protegê-los”, mente o presidente de Israel










