Os planos do golpista Yoon incluíam “torturar autoridades eleitorais para que confessassem fraudes eleitorais fabricadas e cortar energia e água para veículos de mídia críticos”
A promotoria especial da Coreia do Sul pediu nesta terça-feira (13) que o tribunal condene o ex-presidente Yoon Suk-yeol à pena de morte por tentativa de golpe em 2024, a mais grave das três punições previstas pela lei do país para o crime de sedição.
As outras duas são prisão perpétua ou prisão perpétua sem trabalhos forçados. Antes da redemocratização do país, a Coreia do Sul viveu vários golpes de Estado.
A declaração de lei marcial de Yoon havia sido a primeira desse tipo em mais de 40 anos na Coreia do Sul. A última vez foi em 1980, diante dos massivos protestos contra a ditadura pró-EUA, que abriram caminho para a redemocratização do país, a Revolta de Gwangju.
Acuado por protestos contra a corrupção, Yoon decretou em dezembro de 2024 a lei marcial e tentou fechar o parlamento, ao mesmo tempo em que preparava uma provocação contra a Coreia do Norte, mas acabou derrotado pela mobilização popular nas ruas e, depois, foi submetido a impeachment e preso.
A tentativa de golpe foi frustrada em menos de 24 horas, um fiasco completo, com o parlamento cercado por manifestantes pró-constituição. Segundo a agência de notícias Yonhap, também nesta terça ocorreu a audiência final do julgamento.
Os advogados do golpista fizeram suas alegações finais, a que se seguiu a manifestação da equipe de promotores chefiada por Cho Eun-suk.
Yoon é acusado de conspirar com o ex-ministro da Defesa Nacional Kim Yong-hyun e outros aliados para decretar a lei marcial em dezembro de 2024, medida considerada inconstitucional e ilegal, com o objetivo de subverter a Constituição.
O ex-presidente também é acusado de mobilizar tropas e forças policiais para bloquear a Assembleia Nacional, impedir a votação que suspenderia a lei marcial e tentar deter autoridades, incluindo o presidente do Parlamento, Woo Won-sik, Lee Jae-myung, então líder do Partido Democrático da Coreia, o ex-chefe do Partido do Poder Popular Han Dong-hoon e funcionários da Comissão Eleitoral Nacional.
Os promotores assinalaram que Yoon começou a planejar a operação antes de outubro de 2023 para “monopolizar o poder por meio de um governo de longo prazo”, colocando estrategicamente militares em posições-chave antes da declaração.
Os planos de Yoon, documentados em cadernos e memorandos de celular, incluíam “preparar a tortura de autoridades eleitorais para que confessassem fraudes eleitorais fabricadas e cortar energia e água para veículos de mídia críticos”.
Os promotores destacaram, ainda, a completa falta de remorso de Yoon como um fator agravante chave, observando que ele nunca pediu desculpas adequadamente e, em vez disso, insistiu em culpar a oposição e incitar apoiadores. Alguns dos quais vandalizaram um tribunal após sua prisão.
No afã de salvar o pescoço do golpista, ridiculamente os advogados de Yoon o compararam a grandes figuras históricas injustamente condenadas, como “Galileo Galilei e Giordano Bruno”. A Coreia do Sul não aplica a pena de morte desde 1997; desde então, apenas uma sentença de morte foi proferida, em 2018, e 61 pessoas permanecem no corredor da morte.











