Partido define os principais desafios do momento em evento comemorativo aos 46 anos do partido, quando Lula deu a largada rumo às eleições deste ano
Nas comemorações de seus 46 anos de existência, o Partido dos Trabalhadores, reunido em Salvador, na Bahia, aprovou uma resolução em que condena a atual política monetária restritiva imposta pelo Banco Central (BC) ao país, defende a imediata redução da taxa de juros para conter o rentismo e estimular a produção, sustenta a necessidade revisão da meta de inflação, hoje fixada em 3% ao ano, utilizada para a manutenção dos juros nas alturas, e propõe o fim da jornada de trabalho 6X1.
Com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a resolução do partido, com 9 páginas, resgata conquistas econômicas do atual governo.
“Acreditamos que é momento de reduzir a taxa de juros, que permanece em patamar restritivo e incompatível com as necessidades do desenvolvimento nacional. A política monetária conduzida pelo Banco Central, cuja autonomia foi instituída durante o governo Bolsonaro, tem operado como instrumento de bloqueio ao projeto eleito nas urnas, aprofundando a financeirização da economia, drenando recursos públicos e restringindo o investimento produtivo”.
O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, mesmo tendo sido indicado pelo presidente Lula em agosto de 2024 e a taxa Selic para 15%, um dos maiores do mundo, represando, com isso, o crescimento da economia e os investimentos públicos, na medida em que os encargos da rolagem da dívida tem custado ao Tesouro algo em torno de R$ 1 trilhão todos os anos.
Gasolina pura na fogueira do rentismo e da especulação, em detrimento dos vivem da atividade produtiva e da sua força de trabalho.
Galípolo, que já era diretor do tempo em que Campos Neto, sob o governo Bolsonaro, recrudesceu essa política, manteve-se atado à armadilha imposta pelos bancos e rentistas em geral, o que tem gerado revolta em diversos setores da sociedade.
O PT, ao ressaltar essa questão em sua resolução aprovada na Bahia, identifica na política de juros estratosféricos o nó a ser desatado para o Brasil voltar a crescer em níveis compatíveis com sua grandeza humana, física e histórica.
A resolução do PT ainda defende a revisão da meta de inflação, atualmente fixada em 3%. O documento diz que é “necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”.
Entre as agendas prioritárias do PT citadas na resolução também está o fim da chamada escala 6×1, que implica redução da jornada padrão de trabalho vigente no país, de 44 horas. Consta no documento, ainda, a garantia de “proteção social, renda justa e dignidade” a trabalhadores que atuam em aplicativos. Ambas as pautas estão na lista de prioridades da agenda legislativa do governo Lula para este ano, mas enfrentam a oposição organizada de entidades representativas de setores como a indústria e o comércio.
“Orientamos os Diretórios Municipais, Estaduais, Núcleos de Base e toda nossa militância, a construir um calendário nacional de mobilizações que articule a defesa do governo Lula, o enfrentamento à extrema direita e a disputa contra o projeto rentista-autoritário. Devem ganhar centralidade as lutas (…) das agendas que enfrentem a violência contra as mulheres, defendam a democracia, reduzam a jornada de trabalho, enfrentem a escala 6×1, ampliem direitos para trabalhadores por aplicativo e avancem na tarifa zero como política estruturante de justiça social”, diz o documento.
Quanto à bandeira da tarifa zero para o transporte público, deve ser uma das promessas de campanha de Lula neste ano. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que vai deixar o cargo até abril para se dedicar à campanha do presidente à reeleição, já havia sido encarregado de estudos sobre o tema.
No discurso à militância petista durante evento que comemora o aniversário do partido, o ministro citou o tema de maneira dúbia e incerta:
— Não é uma coisa simples abdicar da tarifa para financiar um serviço público. Mas estamos trabalhando em cenários que permitirão ou não ao presidente incluir, ou não, essa proposta do seu plano de governo — afirmou Haddad.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), também participou do evento e foi elogiado por Lula: “Eu tenho muita sorte na vida e uma delas é saber escolher meu vice. Eu duvido que algum presidente tenha tido a sorte de ter o vice que eu tenho”, declarou.
O evento, em Salvador, foi considerado o pontapé inicial da campanha presidencial de 2026. Lula afirmou que será candidato à reeleição, cobrou unidade interna, defendeu alianças amplas e exaltou a trajetória do partido, que completará 46 anos na próxima 3ª feira (10).
O presidente convocou a militância para o que chamou de guerra política em 2026. Disse que a fase “Lulinha paz e amor” acabou.
“Eu quero estar na frente com vocês”, afirmou Lula ao reafirmar que será candidato à reeleição. O petista pretende conquistar um 4º mandato. Declarou que vive seu “melhor momento físico e mental” aos 80 anos e disse estar “motivado para cacete” para a disputa eleitoral.
Conheça a íntegra da Resolução Política do PT no link:
https://pt.org.br/resolucao-aprovada-pelo-diretorio-nacional-do-pt-nos-46-anos-do-partido/











