
Com taxas negativas se espalhando pelos diferentes ramos do setor em fevereiro, a indústria de transformação voltou a ficar no vermelho
Ao analisar os dados da produção industrial de fevereiro, divulgados pelo IBGE, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) destaca que o setor sem crescimento nos último cinco meses ou “a quase um semestre”, conforme nota da entidade “coincide com o período de aumento das taxas de juros”.
Desde setembro de 2024, quando o Banco Central iniciou um novo ciclo de aumento de juros em setembro do ano passado, elevando a taxa Selic, já entre as maiores do mundo, há uma perda de -1,2% na produção industrial brasileira.
Segundo o Iedi, embora considere outros fatores, “é fato de que esta fase adversa coincide com o período de aumento das taxas de juros”
De acordo com a pesquisa mensal do IBGE, na passagem de janeiro para fevereiro deste ano, a produção industrial geral caiu -0,1%. São cinco meses seguidos sem crescimento: -0,2 (Out), -0,7% (Nov) e -0,3% (Dez). Em janeiro, a produção da indústria ficou estagnada (0,0%).
INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO RECUA -0,5%
“O sinal negativo se espalhou pelos diferentes ramos do setor”, aponta o Iedi. “No primeiro mês do ano, o recuo havia sido mais localizado, atingindo 32% dos ramos acompanhados pelo IBGE. Esta parcela tornou-se majoritária em fev/25, chegando a 56%. Com isso, a indústria de transformação, que ficou no positivo em janeiro (+0,6%), também entrou no vermelho (-0,5%)”.
A indústria de transformação, segundo o IBGE, nos últimos cinco meses em que a indústria geral não cresceu, ficou estagnada em outubro (0,0%), caiu em novembro (-1,2%), recuou em dezembro (0,9%) e só variou positivamente em janeiro (0,6%), voltando a cair em fevereiro (-0,5%).
O instituto analisa o desempenho das quatro grandes categorias econômicas pesquisadas pelo IBGE. Em fevereiro, “metade não conseguiu ampliar produção”.
Com a desaceleração da economia, manifestada inclusive no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre (+0,2%), depois de crescer (+0,9% no terceiro trimestre), o Iedi aponta que com a redução na produção industrial de +3,9% para +3,1% do 3º trimestre para o 4º trimestre de 2024, o desempenho do bimestre jan-fev/25 (+1,4%) “aponta para redução de metade deste ritmo de crescimento”.
A entidade da indústria destaca os resultados dos mocrossetores de bens intermediários e bens de consumo semi e não duráveis, “que ficaram praticamente estagnados no primeiro bimestre do ano”.
Em fevereiro, bens de consumo duráveis (-3,2%) “devolveu a maior parte do que tinha crescido em jan/25 (+3,8%) e bens de consumo semi e não duráveis, a seu turno, voltaram ao negativo (-0,8%), fazendo da alta em jan/25 (+3,2%) uma exceção da trajetória de declínio iniciada em out/24”, assinala o Iedi.
“A produção de bens de capital também perdeu um pouco de força, mas manteve-se em um bom ritmo”, diz. “Registrou +8,0% em jan-fev/25 ante +14,1% no 4º trim/24, sempre em relação ao mesmo período do ano anterior. No caso de bens de capital para a própria indústria, vale mencionar que a reação iniciada no 2º trim/24 teve continuidade na entrada de 2025, acusando alta de +11,3% em jan-fev/25”.
“Por fim, a produção de bens de consumo duráveis seguiu crescendo a taxas de dois dígitos: +16,8% em jan-fev/25 ante +17,2% no 4º trim/24, puxada por uma aceleração em automóveis (+16,3%) e outros equipamentos de transporte (20%). O segmento de eletrodomésticos (+16,5%) teve um resultado próximo ao agregado do macrossetor, mas perdeu um pouco de velocidade”.