Reag, liquidada pelo BC, atuava com o PCC e o Master, diz investigação

Reag entra na Bolsa em janeiro de 2025, em setembro entra na mira da PF. (Foto: Divulgação/B3)

Dirigentes bolsonaristas tentaram impedir o avanço das investigações do Banco Master e o Reag com o crime organizado

Envolvida no caso do Banco Master e suspeita de lavar dinheiro para o crime organizado, a Reag Investimentos, gestora independente de recursos de terceiros, teve sua operação encerrada na quinta-feira (15), após o Banco Central (BC) decretar sua liquidação extrajudicial.

De acordo com o BC, a Reag Investimentos promoveu “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.  

Na nota, o BC não detalhou quais seriam as condutas consideradas irregulares cometidas pela empresa. Mas, segundo um relatório enviado pelo BC ao Tribunal de Contas da União (TCU), fundos administrados pela Reag teriam estruturado operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024, que somam 11,5 bilhões de reais.

Antes denominada de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, a Reag atuava na administração e gestão de mais de 80 fundos, além de prestar serviços de gestão patrimonial a pessoas físicas. Apenas o Banco Master, de Daniel Vorcaro, tinha um ‘patrimônio’ declarado de mais de R$ 10 bilhões com fundos administrados pela Reag.  

A necessidade de mudança de nome se deu após a gestora de fundos ter sido um dos alvos da megaoperação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) das Receitas Estadual e Federal, com o fim de combater a infiltração do crime organizado na economia legal.

As investigações apontam que organizações criminosas atuavam na cadeia produtiva no setor de combustíveis, parte capturada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). O dinheiro ilícito obtido com a prática de crimes, como a adulteração de produtos vendidos aos consumidores, por exemplo, era utilizado para comprar empresas já existentes.  

Por meio deste esquema fraudulento no setor de combustíveis, o PCC teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos. A Receita Federal afirma ter identificado ao menos 40 fundos de investimentos, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, controlados pela facção e usados para ocultar recursos no mercado financeiro. Parte desses fundos era administrada pela Reag.

Após forte repercussão do caso, a gestora de fundos teve seu nome novamente vinculado a ações criminosas. João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, que em sua primeira fase havia perdido o controlador do Master, Daniel Vorcaro, por suspeita de gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais. Mansur já havia renunciado ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag Investimentos, em setembro do ano passado.

Nas apurações sobre o Master, o BC comunicou ao Ministério Público que o Master realizou uma série de operações fraudulentas por meio de empréstimos concedidos pelo banco a empresas.  

Segundo as investigações, o Master concedia empréstimos para empresas com conexões com ele, que não pagavam as parcelas, gerando desta forma uma receita somente no papel.  Em questões de minutos e quase que integralmente, os valores das operações de crédito fraudulentas eram repassados a fundos administrados pela gestora de recursos Reag, que simulavam uma rentabilidade irreal.

Após circularem por estruturas administradas pela Reag, o dinheiro voltava para o Master via aquisição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que é a principal forma de captação do banco no mercado financeiro. Pelo que se sabe, até agora, é que pelo menos três fundos do Reag envolvidos no caso Master também estão na lista de investigados na Operação Carbono Oculto. Entre eles, o Hans 95, Reag Growth e Anna FIC.

Chamou atenção das autoridades, durante as investigações, das falcatruas do presidente do Banco Master, em conluio com o BRB de Brasília, o comportamento de próceres bolsonaristas, entre eles o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, que tentaram impedir o avanço das investigações.

Assim como teve destaque a tentativa do ex-secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite, de enfraquecer a Polícia Federal e barrar as investigações das ligações do banco com o crime organizado durante as discussões sobre a Lei Antifacção do presidente Lula no Congresso Nacional.

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