Rússia adverte Estônia dos riscos de colocar armas nucleares da Otan em seu território

Europeus condenam belicismo da Otan em ato durante cúpula da entidade comandada por Washington (AP)

Porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, condenou provocação via Otan e afirmou que seu país “fará o necessário para garantir sua própria segurança, ainda mais em em matéria de dissuasão nuclear”

A Rússia advertiu neste domingo (22) o governo da Estônia, ex-república soviética e atual membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – organização que coloca, desde sua concepção inicial, os países europeus sob tacão militar de Washington – dos riscos de deslocar armas nucleares para seu território.

“Se houver armas nucleares apontadas para nós em território estoniano, então nossas armas nucleares serão apontadas para o território estoniano. A Estônia precisa ter isso bem claro”, sintetizou Dmitri Peskov, porta-voz da presidência russa, em pronunciamento na televisão pública.

Peskov lembrou que à vizinha Estônia “está muito próxima de nós” e que a “Rússia sempre fará o necessário para garantir sua própria segurança, ainda mais em matéria de dissuasão nuclear”.

O porta-voz russo reiterou que os estonianos “devem ter uma compreensão bem clara disso”. Além do mais, acrescentou, “não estamos ameaçando a Estônia, assim como não estamos ameaçando o resto dos países europeus”.

De forma irresponsável, o ministro das Relações Exteriores da Estônia, Margus Tsahkna, havia declarado na semana passada que seu governo não descartava a possibilidade de abrigar armas nucleares caso a Aliança Atlântica julgasse necessário. “Não somos contra”, disse Tsahkna.

O pronunciamento se soma ao do ministro da Defesa, Hanno Pevkur, que em 2025 disse que seu país estava preparado para receber aeronaves da Otan capazes de transportar armas nucleares. “Estamos sempre disponíveis. A porta está sempre aberta”, assegurou ao jornal britânico The Telegraph, ao ser questionado sobre o deslocamento de caças F-35A, capazes de transportar a bomba nuclear B61.

ESTÔNIA, O REGIME NEONAZISTA DE KIEV E O “ATAQUE RUSSO”

A Estônia tem sido um dos principais apoiadores do regime neonazista de Kiev, propondo que se ampliem os gastos militares na Europa, utilizando como pretexto a suposta ameaça de um “ataque russo”.

No ano passado, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou a Estônia como “um dos países mais hostis” e condenou o governo fantoche por “espalhar mitos e falsidades” sobre Moscou.

No começo de fevereiro, o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, já havia sugerido que seu país deveria desenvolver seu próprio programa nuclear.

ATENTADO A GENERAL RUSSO

Em meio às hostilidades contra a Rússia, o diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB), Aleksandr Bortnikov, declarou ontem que serviços secretos britânicos estiveram envolvidos na tentativa de assassinato do tenente-general Vladimir Alekseyev, primeiro vice-chefe do serviço de inteligência militar russo (GRU).

Alekseyev foi atingido por disparos nas costas no começo do mês, quando aguardava por um elevador no prédio onde mora, no oeste de Moscou, mas conseguiu sobreviver. Foram detidos três criminosos que estavam a serviço do regime de terrorismo de Estado, incluindo o suposto atirador, identificado como Lyubomir Korba, cidadão russo de 65 anos nascido na Ucrânia. Korba foi extraditado para a Rússia com auxílio dos Emirados Árabes Unidos.

Bortnikov reiterou que o atentado foi organizado pelo governo de Volodymyr Zelensky, mas sob estímulo de “terceiros países”. “Vemos aqui o rastro do Reino Unido, antes de tudo. Por isso a investigação continua”, declarou. A Rússia não deixará o ataque sem resposta, afiançou o diretor do FSB, esclarecendo xplicando que tudo o que está acontecendo vem sendo monitorado. “Claro que nunca esqueceremos e nunca perdoaremos”, frisou.

O FSB já havia declarado anteriormente que serviços especiais poloneses contribuíram para que a Ucrânia recrutasse Korba utilizando o filho dele, que é cidadão polonês. Korba confessou ter trabalhado para Kiev sob a promessa do pagamento de US$ 30 mil para assassinar o general.

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