Rússia desafia bloqueio e anuncia envio de navio petroleiro a Cuba

Navio com 80 mil toneladas de petróleo bruto chegará em fevereiro para evitar um apagão total (Pravda)

Embaixada de Moscou em Havana confirmou que Cuba receberá petróleo bruto e combustíveis

O governo russo informou que enviará um navio petroleiro com 80 mil toneladas como ajuda humanitária a Cuba, vítima de um bloqueio criminoso há mais de seis décadas pelos Estados Unidos, agravado recentemente pela asfixia determinada por Trump para todo aquele que decida negociar com Havana e com a proibição do envio de petroleo venezuelano.

 “Se o Kremlin toma uma decisão, devemos esperar una escolta militar ou os estadunidenses interceptarão o petroleiro”, afirma o jornal Pravda, uma vez que “é muito improvável que se chegue a um acordo”. “Cuba é um símbolo de resistência ao imperialismo estadunidense e a Rússia não pode simplesmente abandonar a Ilha”, acrescenta.

Após o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, país com quem os cubanos têm relações mais próximas, reduziu o fornecimento de combustível pela ameaça dos EUA de impor tarifas com quem negocie o produto com a Ilha, agravando a crise. Cuba também constrói com o governo de Claudia Sheinbaum, do México, alternativas urgentes para garantir o abastecimento.

A falta de petróleo afetou o setor de turismo – um dos pontos chaves da economia – pois obrigou a suspensão dos voos internacionais, uma vez que escasseou o querosene de aviação, além de ampliar o racionamento para o abastecimento interno, prejudicando o atendimento dos transportes públicos, das escolas e hospitais, que operam com restrições. Apagões têm sido recorrentes em diferentes regiões e até totais, deixando na escuridão os 10 milhões de habitantes.

ESTREITO DIÁLOGO ENTRE RUSSOS E CUBANOS

De acordo com o Izvestia, diplomatas russos confirmaram que “está previsto, em um futuro próximo, o fornecimento de petróleo e derivados da Rússia para Cuba como ajuda humanitária”.  “Estamos em estreito diálogo com nossos amigos cubanos e avaliamos opções de apoio”, declarou o porta-voz Dmitry Peskov.

A última grande remessa russa petrolífera chegou a Cuba em fevereiro de 2025, quando Moscou enviou 100 mil toneladas sob a forma de empréstimo estatal. 

As ameaças de Trump punir quem negocie com Havana ampliou o alcance extraterritorial das sanções estadunidenses e provocou receio em governos latino-americanos e parceiros comerciais diante do impacto das evidentes retaliações.

Na última quarta-feira (11), a agência federal de aviação da Rússia disse que, diante das dificuldades de reabastecimento, as companhias aéreas do país vão operar somente voos de retorno para a retirada de turistas da Ilha. Por volta de cinco mil cidadãos russos ainda estariam em Cuba, segundo a Associação Russa de Operadores de Turismo.

PLANO DE TRUMP É MERGULHAR A ILHA NO CAOS

Em 9 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva declarando “estado de emergência nacional” devido à “ameaça” que Cuba representa para a segurança e a política externa dos Estados Unidos, classificando qualquer fornecimento de energia para Cuba como uma “ameaça à segurança nacional”.

De forma criminosa o ditador autoriza a imposição de tarifas sobre os países que lhe fornecem petróleo, levando o México a suspender seus embarques, assim como a Venezuela já havia feito sob imposição direta.

Sob este tacão genocida, a Marinha e a Guarda Costeira dos EUA já interceptaram cinco petroleiros que transportavam petróleo para Cuba, ações que causaram uma escassez extraordinária de combustível na ilha, impactando diretamente o cotidiano do povo cubano e ficando claro o objetivo de perturbar os meios de subsistência, provocar protestos e facilitar uma intervenção militar direta com a declarada e criminosa finalidade de “mudança de regime”.

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