Dados da empresa Kpler, dedicada ao estudo do comércio de petróleo, indicam que um navio com mais de 700 mil barris de petróleo bruto da Rússia está a caminho do porto cubano de Matanzas, o que representaria o primeiro carregamento significativo após três meses sem abastecimento, conforme reconhecido pelo presidente Miguel Díaz-Canel.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Moscou reafirma sua firme solidariedade com o governo e o irmão povo cubano.
A Chancelaria russa observa que, “no contexto de um confronto criado artificialmente, a Ilha da Liberdade enfrenta desafios sem precedentes, consequência direta do embargo comercial, econômico e financeiro de longa data e, mais recentemente, do embargo energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba”.
“Estamos confiantes de que o heróico povo cubano, que demonstrou repetidamente seu compromisso com os ideais de liberdade, independência e justiça social, bem como resiliência e coragem exemplares diante de ameaças externas, defenderá seu direito inalienável de escolher soberanamente seu próprio caminho de desenvolvimento”, acrescentou.
E prometeu “continuar fornecendo a Cuba a assistência necessária, incluindo apoio econômico.”
RESISTÊNCIA INABALÁVEL
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que qualquer agressão contra a ilha encontrará uma “resistência inabalável”. A declaração em uma publicação no X, na terça-feira (17), veio em resposta às ameaças sem controle de Donald Trump contra o país caribenho, dizendo que “terá a honra de tomar Cuba”.
“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue”, assegurou Díaz-Canel, condenando os planos dos Estados Unidos de assumir o controle da ilha, incluindo seus recursos, propriedades e economia, promovendo uma “guerra econômica feroz” como forma de pressão contra a população cubana.
O presidente lembrou que Washington tem ameaçado “derrubar à força” a ordem constitucional de Havana explicitamente e “quase diariamente” sob a justificativa de que essas ações respondem à “economia enfraquecida” da ilha, afetada pelas políticas dos EUA.
Contudo, o presidente cubano insistiu em que “qualquer agressor externo irá se deparar com uma resistência inabalável do povo cubano e de seu governo”.
“COMBOIO NOSSA AMÉRICA” PARTIRÁ DO MÉXICO
Fortalecendo o esforço de solidariedade internacional, o “Comboio Nossa América”, iniciativa com forte participação brasileira, anunciou que um navio carregado com suprimentos vitais para enfrentar a crise humanitária na ilha partirá nesta quinta-feira, 19 de março, do porto de Progreso, no México.
A missão conta com o apoio da Flotilha Global Sumud, conhecida por seu trabalho na Faixa de Gaza, e tem o apoio explícito de figuras como a ativista sueca Greta Thunberg, que uniram forças para desafiar o bloqueio imposto por Washington à ilha caribenha.
O carregamento consiste em toneladas de alimentos, medicamentos essenciais e painéis solares — suprimentos cruciais para mitigar o colapso do sistema elétrico cubano causado pelos cortes no fornecimento de combustível ordenados pelo governo genocida de Trump.
A operação logística inclui a partida de mais três embarcações da Isla Mujeres do Caribe mexicano em 20 de março, com o objetivo de chegarem a Havana em 21 de março.
Antes disso, já haviam ocorrido outras duas viagens de navios da Marinha mexicana transportando alimentos, medicamentos, produtos de higiene e outros suprimentos essenciais, doados pelo governo e pelo povo mexicano.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reafirmou o compromisso de seu governo, descrevendo a ajuda como um ato de “fraternidade”, e anunciou que fará uma doação financeira pessoal.











