“Se EUA atacar o Irã, suas bases militares serão alvos legítimos”, avisa Teerã

Pressão sobre o Irã: Bombardeiro B-1B é visto na base aérea Al Uded dos EUA no Catar. (fotoUSAF)

O governo iraniano informou aos países vizinhos que abrigam bases militares dos Estados Unidos que, caso Washington cumpra as suas ameaças de atacar o país, essas bases se tornarão alvos legítimos.

Três diplomatas afirmaram, nesta quarta-feira (14), que alguns militares foram aconselhados a deixar a principal base aérea norte-americana na região, no Catar, embora não haja indícios imediatos de uma retirada de tropas em larga escala, como a que ocorreu horas antes do ataque com mísseis iranianos no ano passado.

Em uma carta dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e ao atual presidente do Conselho de Segurança do organismo internacional, Abukar Dahir Osman, a missão permanente do Irã na ONU denunciou as declarações feitas por Donald Trump na terça-feira (13), nas quais o presidente ianque convocou manifestantes iranianos a continuarem protestando, a tomarem o controle de instituições, além de lhes garantir que “a ajuda está a caminho”, sem mais informações.

“Esta declaração imprudente fomenta explicitamente a desestabilização política, incita e convida à violência e ameaça a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional da República Islâmica do Irã”, sustenta o documento.

“VIOLAÇÃO FLAGRANTE DO DIREITO INTERNACIONAL”

Os diplomatas apontaram à Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, até a noite desta quarta-feira. Um dos diplomatas descreveu a medida como uma “mudança de postura” em vez de uma “retirada ordenada”

A missão iraniana classifica tais ações dos EUA como uma “violação flagrante dos princípios fundamentais do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular a proibição da ameaça ou do uso da força” e “o princípio da não-intervenção nos assuntos internos dos Estados”.

O Irã destacou que essa “retórica intervencionista” faz parte de uma tendência contínua e crescente, “voltada para a desestabilização política”, por parte do presidente dos EUA e registrada durante as últimas semanas.

Essa política, segundo a missão diplomática iraniana, é aplicada por meio da chamada campanha de “pressão máxima”, da intensificação de sanções unilaterais, da desestabilização social e econômica deliberada, da propagação sistemática da insegurança e da incitação dos jovens a confrontarem o governo iraniano.

Os EUA e Israel interferiram em protestos que ocorreram no Irã no final do mês passado, após o colapso da moeda, resultado de anos de brutais sanções americanas. Muitos desses protestos rapidamente se tornaram violentos, com manifestantes armados matando membros das forças de segurança nas últimas semanas. 

Nesse sentido, Teerã responsabiliza diretamente Washington e o regime israelense pela perda de vidas de civis inocentes, em particular entre os jovens, que ocorreu como consequência dessa política.

Dito isso, o Irã apela ao secretário-geral e ao Conselho de Segurança para que condenem “inequivocamente” a incitação à violência, as ameaças de uso da força e a interferência nos assuntos internos do Irã por parte de Washington, e induzam os EUA e Israel a “pôr fim imediatamente às políticas e práticas desestabilizadoras”.

A embaixada norte-americana em Doha não se pronunciou imediatamente e o Ministério das Relações Exteriores do Catar não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

Uma fonte iraniana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que Teerã pediu aos aliados dos EUA na região que “impeçam Washington de atacar o Irã”.

A fonte acrescentou que os contatos diretos entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff,  foram suspensos, refletindo o aumento das tensões.

Os EUA mantêm forças em toda a região, incluindo o quartel-general avançado do Comando Central em Al Udeid, no Catar, e o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA no Bahrein.

A mídia estatal iraniana informou que o chefe do principal órgão de segurança do Irã, Ali Larijani, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Catar e que Araqchi se comunicou com seus homólogos dos Emirados Árabes Unidos e da Turquia.

Araqchi disse ao ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Abdullah bin Zayed, que “a calma prevaleceu” e que os iranianos estão determinados a defender sua soberania e segurança contra qualquer interferência estrangeira, informou a mídia estatal.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *