Em entrevista a um podcast, o secretário de Saúde dos EUA, Robert Fitzgerald Kennedy Jr, revelou “não ter medo de germes”, lembrando sua longa jornada como viciado em drogas e álcool: “Eu costumava cheirar cocaína em vasos sanitários.”
A confissão, que está repercutindo nos EUA, aconteceu em conversa com o comediante Theo Von, apresentador do podcast “This Past Weekend”. Eles se conheceram frequentando reuniões para dependentes de drogas.
“Eu sei que essa doença vai me matar”, prosseguiu o secretário de Saúde norte-americano, sobre sua dependência química. “Se eu não tratar, o que para mim significa ir a reuniões todos os dias, é simplesmente ruim para a minha vida.”
Não é a primeira vez que RFK Jr fala em público sobre os 14 anos em que conviveu com o vício em heroína, mas a observação sobre os micróbios ecoou entre os opositores à sua descabelada gestão da Saúde nos EUA.
RFK Jr é “a pessoa mais perigosa, despreparada e inadequada que já liderou uma agência federal tão importante, com poder de decisão sobre vidas”, advertiu a ONG Protect Our Care, que pediu sua imediata renúncia.
De forma irônica, o deputado democrata Malcom Kenyatta postou no X que “por algum motivo, não confio nesse cara em matéria de saúde pública”.
Sobre RFK Jr abundam histórias escalafobéticas e deprimentes – como a de que decepou a cabeça de uma baleia no litoral, que levou para casa, depois de infectar o próprio carro com vísceras e sangue. Uma história confirmada por sua filha.
Ou “o verme no cérebro”, meme preferencial de dois em cada três chargistas que o retratam.
Em outro podcast, ex-colegas de internato relataram que RFK Jr. tinha um falcão de estimação que, para horror dos demais estudantes, ele alimentava com ratos que se aglomeravam em uma vala com carne estragada de um matadouro. De acordo com o bizarro relato, o agora secretário também dava LSD para a ave.
Ele tinha 14 anos quando seu pai foi assassinado, Robert Fitzgeral Kennedy, que fora secretário de Justiça do governo de JFK, seu tio, logo após a vitória nas primárias na Califórnia em 1968, e em meio à luta contra o apartheid no sul e contra a guerra do Vietnã. Assassinato que abriu caminho para a vitória de Nixon na eleição, além de ter evitado que quem deu a ordem de matar JFK fosse desmascarado.
Uma trajetória atribulada que incluiu se tornar um conhecido advogado ambientalista, mas também apologista do negacionismo das vacinas – este, um tipo de crendice particularmente nocivo em tempo de pandemia e com todas as implicações sobre a resposta à pandemia do governo Trump e seus 1,1 milhão de infectados, com mais mortos que na Guerra do Vietnã, e culto da “imunização de rebanho” e cloroquina.
Vindo de uma família emblemática da nata dos democratas, a cooptação de Jr. funcionou como uma espécie de ampliação da campanha de Trump 2.0 e, ao final e ao cabo, o levou à posição de Secretário da Saúde no país da Saúde mais cara do mundo como proporção do PIB e a menos acessível à população, sob o tacão da Big Farma, das redes hospitalares privadas e dos extorsivos planos de saúde, e onde a principal causa de falência pessoal são internações em casos de doença grave.
RFK Jr. tem se prestado ao desmonte deliberado da infraestrutura de saúde pública no país desencadeado pelo trumpismo, especialmente os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDS), com a substituição de respeitados cientistas por claques de negacionistas.
Ele demitiu todo o Comitê Consultivo de Práticas de Imunização e minou os programas de vacinação criados na década de 1960 que reduziram drasticamente doenças e mortes infantis em todo os Estados Unidos. E agora o país vive um surto de sarampo, essencialmente por subvacinação. Também é entusiasta de teorias não comprovadas sobre autismo, entre outros temas delirantes.











