“Percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos”, alerta CNI
Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Industria (CNI), nesta terça-feira (17), aponta que “os juros altos são barreira” para os empresários industriais que pretendem investir em 2026. De acordo com o levantamento, 56% planejam investir esse ano m 2026. Por outro lado, quase um quarto dos industriais (23%) não pretendem investir este ano, sendo que 38% desses empresários adiaram ou cancelaram aportes que estavam em andamento.
“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos. É um resultado que preocupa, uma vez que os investimentos são a base de um crescimento sustentável e a fonte do tão necessário aumento da produtividade da economia brasileira”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
A pesquisa da CNI saiu na véspera da divulgação do novo patamar da taxa básica da economia (Selic), hoje em 15% ao ano, pelo Banco Central. Os juros reais (descontada a inflação, estão acima de 10%, entre os maiores do planeta, inibindo os investimentos produtivos e o consumo das famílias.
“O Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo. Ao manter a Selic ao nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião”, defendeu Ricardo Alban, presidente da CNI, no final de janeiro, quando o Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 15%.
Sobre as fontes de financiamento, o capital próprio segue como a principal fonte de financiamento do setor. Do total 62% das empresas planejam recorrer apenas ou majoritariamente a recursos próprios. Outros 28% pretendem captar recursos de terceiros, como bancos e demais instituições financeiras. Outros 11% não souberam informar.
“O capital próprio é a principal fonte de financiamento dos investimentos da indústria há alguns anos e ganhou importância em meio às dificuldades das empresas para obterem crédito junto ao sistema financeiro, seja pelo alto custo desses recursos, seja por outros entraves, como a exigência de garantias”, segundo Azevedo.
Os investimentos planejados têm como foco atende a demanda nacional, sendo exclusivamente o mercado interno (30%) ou principalmente o mercado interno (37%). Já 24% apontaram que o foco dos investimentos é, igualmente, os mercados interno e externo. Apenas 4% das empresas apontam o mercado externo como principal ou único foco dos investimentos.
Há mais indicações de investimentos para dar segmento a projetos em andamento (62%), enquanto para abrir novas frentes o percentual dos entrevistados é (32%).
Os principais objetivos dos aportes são: Melhoria do processo produtivo (48%); Ampliação da capacidade produtiva (34%); Lançamento de novos produtos (8%) e Adoção de novos processos produtivos (5%).











