Selic permanece elevada e adia investimentos produtivos, afirmam empresários da construção

Foto: Divulgação/CBIC

Entidade da indústria da construção defende redução consistente dos juros, para ampliar o acesso à casa própria e contribuir para a geração de renda e o desenvolvimento do país

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), cuja composição é a diretoria do Banco Central (BC), na quarta-feira (18), de reduzir “uma gota” de 0,25 ponto percentual da taxa Selic, taxa de juros básicos da economia, trouxe uma frustração geral na sociedade brasileira, em especial para os setores produtivos. Foi a primeira redução em quase dois anos.

Para a indústria da construção civil. “a Selic, que retornou ao patamar registrado em maio/25, permanece muito elevada. E o custo disso é o adiamento de investimentos produtivos, pressão no orçamento das famílias, que já registram endividamento elevado e um maior custo fiscal” afirmou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), após a decisão do BC.

Vale acrescentar que a Selic mantém-se em dois dígitos desde fevereiro de 2022 e no atual patamar, agora, em 14,75% significa permanecer com uma taxa de juros real acima dos 10%, a segunda maior taxa real de juros do planeta.

O que ocorre nessa situação é a atração das aplicações no mercado financeiro em contraposição ao investimento produtivo, assim como derruba o consumo das famílias devido ao alto custo do crédito.

Para a CBIC, “a manutenção da taxa Selic em níveis restritivos por tempo ainda mais prolongado compromete as atividades produtivas e posterga investimentos, impactando a sua produção e o maior desenvolvimento do país”.”, afirma no Boletim”.

Nessa mesma direção, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) se manifestou afirmando que a redução de 0,25p.p.“é incapaz de reverter prejuízos à economia”.  “A medida ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento – sintomas da política monetária excessivamente restritiva”, ressaltou a entidade.

Não é por outra razão que a CBIC destaca que “depois de crescer 2,3% em 2025, as projeções sinalizam um menor dinamismo da economia brasileira em 2026. “A pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central, com empresas do mercado financeiro, projeta (2026) alta de (apenas) 1,83% para o Produto Interno Bruto (PIB)”.

“O setor da construção, que cresceu 0,5% no ano passado, aguarda a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário. Entre os principais problemas enfrentados atualmente pelas empresas do setor estão os juros elevados”, reitera a entidade da construção civil.

No mês de janeiro, a indústria da construção registrou o pior janeiro dos últimos 9 anos, segundo a “Sondagem Indústria da Construção” da CNI, em parceria com CBIC. E, ainda que, nesse mês, o índice que mede o nível de atividade da indústria da construção registrou 43,1 pontos, pior resultado do indicador para o mês desde 2017.  Quando mais se afasta dos 50 pontos maior é a intensidade da queda.

Outro dado da Sondagem demonstra os efeitos dos juros altos no setor. O indicador de acesso ao crédito está muito abaixo da linha divisória de 50 pontos. Quanto mais distante dessa linha maior a dificuldade. No 4º trimestre/25 ele alcançou 39,0 pontos, mantendo-se 11 pontos abaixo da linha divisória, refletindo a grave dificuldade da Construção na obtenção de crédito.

Para a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a continuidade da redução da taxa básica de juros será fundamental para destravar o potencial de crescimento do setor.

“A construção civil, que cresceu de forma modesta no último ano, aguarda a continuidade do ciclo de queda de juros para alavancar seus investimentos. Uma redução consistente no custo do crédito pode incentivar novos lançamentos imobiliários, ampliar o acesso à casa própria e impulsionar a cadeia produtiva, contribuindo para a geração de renda e o desenvolvimento do país”, afirma a economista.

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