
CPI vai investigar insanidades do Planalto. Enquanto faltava oxigênio em Manaus, o governo distribuía cloroquina aos postos de saúde do Amazonas
Jair Bolsonaro não tinha nada para fazer no última sábado (17), então, sem máscara, resolveu fazer mais uma aglomeração. Desta vez foi em Goianápolis, no centro de Goiás.
Ele ajudou a espalhar o vírus para dezenas de pessoas que se amontoaram em grades de um campo de futebol. Estava com ele Eduardo Pazuello que virou seu ‘aspone’ (assessor de porcaria nenhuma).

Além do inquérito, a investigação das ações e omissões do governo federal durante a crise que matou dezenas de amazonenses será um dos objetivos da CPI da Pandemia, criada no último dia 13 de abril pelo Senado Federal.
Eduardo Pazuello é alvo de um inquérito – aberto enquanto ele ainda era ministro – que apura a atuação dele durante a crise sanitária no Amazonas no início do ano, quando faltou oxigênio para tratar pacientes de Covid-19. Enquanto faltava oxigênio, ele distribuía cloroquina os postos de Saúde do Amazonas.
Bolsonaro também estava acompanhado do deputado federal major Vitor Hugo, líder do PSL na Câmara, a quem coube mobilizar as pessoas que se aglomeraram no campinho de futebol assim que os helicópteros chegaram.

Para comprovar que a viagem não tinha o menor sentido a não ser afrontar as normas sanitárias em vigor no Estado, que impedem aglomerações e obrigam o uso de máscara, o evento não durou nem 15 minutos. Durante esse período, Bolsonaro cumprimentou as pessoas com apertos de mão. Um dos apoiadores passou um bebê por cima da grade do campo para que ele o pegasse no colo. O deputado justificou que a intenção da visita foi só aglomerar mesmo. Ele disse que eles foram até ali de helicóptero “só para ver a população”.
Nas últimas 24h, o Estado registrou 1.410 novos contaminados e 166 mortes pela doença. A rede hospitalar estadual está com 91% dos 570 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados.
Em Goiás, há decreto desde 2020 que obriga o uso de máscaras no Estado. A medida é considerada essencial para evitar a disseminação do coronavírus. As aglomerações também estão proibidas pelo mesmo motivo. Desde 10 de março, em 36 eventos oficiais em Brasília e outras cidades — entre os quais solenidades, audiências, encontros com embaixadores e formaturas, com a participação do presidente, invariavelmente, em todos, ele estava sem máscara.
