Senado proíbe Trump de fazer novos ataques à Venezuela sem aprovação do Congresso

O que a resolução aprovada faz é reiterar a Lei dos Poderes de Guerra aprovada em 1973. (foto ilustrativa/A Crítica)

A moção para levar a resolução ao plenário do Senado recebeu 52 votos a favor e 47 contra, com pelo menos cinco senadores do Partido Republicano juntando-se aos democratas na votação

O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que limita a capacidade do presidente Trump de ordenar novas ações militares contra a Venezuela sem a autorização prévia do Congresso.

A moção para levar a resolução ao plenário do Senado recebeu 52 votos a favor e 47 contra, com pelo menos cinco senadores do Partido Republicano juntando-se aos democratas na votação, segundo a NBC.

A resolução foi apresentada conjuntamente pelo democrata Tim Kaine e pelo republicano Rand Paul, recebendo o voto dos 47 democratas e dos republicanos Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins, Todd Young, e Josh Hawley.

Conforme a CNN, a votação no plenário do Senado deverá ocorrer na próxima semana e poderá haver uma “conciliação” com proposta análoga da Câmara.

Kaine disse que espera que os legisladores apresentem outras resoluções de poderes de guerra destinadas a interromper hostilidades contra Nigéria, Cuba, México e Colômbia – todos países que Trump atacou no último ano ou ameaçou atacar.

Trump reagiu à votação dizendo que os senadores republicanos que apoiaram a resolução “nunca mais deveriam ser eleitos para cargos públicos”. Para o jornal britânico The Guardian, a votação foi “uma repreensão significativa” ao presidente norte-americano.

Nesta semana, além de ameaçar com um ataque ainda maior contra a Venezuela caso haja resistência à pilhagem do petróleo e recolonização, Trump também colocou sobre a mesa uma ação armada para anexar a Groenlândia. Além de sugerir agressões à Colômbia, México e Cuba.

Eleito falando contra as “guerras eternas” e supostamente obcecado por obter um “Nobel da Paz”, no primeiro ano de seu segundo mandato Trump já bombardeou sete países: Irã, Síria, Iêmen, Nigéria, Somália, Iraque e Venezuela.

Essencialmente o que a resolução agora apresentada faz é reiterar a Lei dos Poderes de Guerra, aprovada em 1973, no ocaso do governo Nixon, quando a derrota no Vietnã já era um fato da vida, que devolvia ao legislativo a capacidade que lhe havia sido determinada pela Constituição.

Por sua plataforma Truth Social, Trump escreveu que “essa votação dificulta muito a autodefesa e a segurança nacional americanas, dificultando a autoridade do presidente como Comandante em Chefe”. Anteriormente, Trump chamara de “inconstitucional” a Resolução de Poderes de Guerra, a legislação da era da Guerra do Vietnã aprovada pelo Congresso para impedir presidentes de conduzirem guerras sem autorização.

Duas tentativas de aprovar resoluções no mesmo sentido, diante dos ataques de Trump contra embarcações no Caribe e no Pacífico com mais de 110 pessoas executadas extrajudicialmente e deslocamento de uma frota de guerra para o litoral da Venezuela, haviam sido bloqueadas no ano passado pelos trumpistas.

A uma corte em Nova Iorque, o sequestrado Nicolás Maduro se declarou inocente, prisioneiro de guerra e presidente venezuelano. A vice-presidente Delcy Rodríguez, por decisão do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano, assumiu a presidência interina do país.

Muitos países do mundo, entre eles a Rússia e a China, pediram a libertação de Maduro e sua esposa e exigiram que seja garantido à Venezuela o direito de decidir seu destino sem intervenção externa. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, reiterou que as riquezas da Venezuela são de seu povo, ao contrário do que Trump alega. O Brasil reconheceu Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. No país do Caribe, manifestações vêm exigindo a devolução de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que é deputada da Assembleia Nacional venezuelana desde 2016.

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