
Uma empresa de segurança que presta serviços para o Shopping Pátio Paulista anuncia vagas para evitar que pessoas em situação de vulnerabilidade social abordem seus clientes na rua. Na descrição da vaga, a empresa Verzani & Sandrini diz que o profissional que venha a ocupar a vaga terá que “abordar os pedintes, menores e pessoas em situação de rua para tirá-los do foco do cliente”.
O anúncio foi publicado em várias plataformas de emprego pela empresa, que oferece serviços de limpeza, manutenção, segurança e vigilância. A vaga exige graduação para atuar como assistente social e vínculo ativo no Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo (CRESS-SP). Em nota, a empresa afirmou que o conteúdo foi divulgado de forma inadequada e retirado do ar.
https://x.com/HolandaTaiane/status/1907130998111760781?t=grHlFueSZUTMQr0rWDZPGw&s=19
A situação foi denunciada pelo Padre Júlio Lancellotti e descrita como aporofobia. “Impressionante!!! Aporofobia institucional”, disse o clérigo, marcando as redes sociais do Shopping.
O termo “aporofobia” foi criado pela filósofa espanhola Adela Cortina nos anos 1990 a partir da junção dos termos gregos, Á-poros (pobre) e fóbos (aversão ou medo).
A situação é especialmente gritante considerando o aumento expressivo de pessoas em situação de rua no último período, o que faz com que muitas pessoas recorram ao pedido de esmolas e ajudas para conseguir ter o mínimo acesso à alimentação, um dos direitos humanos fundamentais.
Dados obtidos pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, divulgados em dezembro passado, mostram que a capital paulista é a cidade com maior número de pessoas em situação de rua, com quase 90 mil pessoas nessa condição, em novembro de 2024, um aumento de cerca de 25 mil pessoas em relação ao mesmo período do ano anterior.
No Brasil, o número total de pessoas vivendo nas ruas ultrapassa 320 mil. Depois de São Paulo, o Rio de Janeiro é a cidade com o segundo maior número de indivíduos nessa condição.
Em 2018, a capital paulista registrava cerca de 38 mil pessoas nessa condição, um número que dobrou em apenas seis anos. Quando comparado a 2013, os dados mostram que a capital paulista tinha cerca de 7.800 pessoas em situação de rua, representando 72% dos casos no estado. O crescimento de 1041% no número de pessoas, mostra o panorama da situação. Os dados foram divulgados à época pela CNN.