
Para FIESP, “cenário esperado para 2025 é de desaceleração da atividade industrial, como resultado, sobretudo, da política monetária contracionista em um ambiente marcado por condições financeiras já restritivas”
Sob efeito dos juros elevados, baixo investimento e demanda em queda, a produção industrial brasileira recuou -0,1% na passagem de janeiro para fevereiro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM – Brasil) divulgda pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira (2).
O recuo veio após variação nula (0,0%) no mês de janeiro, quando nos três meses anteriores o setor acumulou uma perda de 1,2%.
Esse resultado foi influenciado pela queda da indústria de transformação (-0,5%) e pelo aumento da indústria extrativa (+2,7%) no mês. É o quinto mês com a produção do setor em queda: Outubro/24 (-0,2%), Novembro/24 (-0,7%), Dezembro (-0,3%), Janeiro/25 (0,0%) e Fevereiro (-0,1%).
“O desempenho negativo da indústria em fevereiro reforça o comportamento de menor intensidade da produção industrial nos últimos meses. É o quinto mês seguido sem crescimento, com perda acumulada de 1,3% nesse período, e elimina o avanço de 1,0% registrado nos meses de agosto e setembro de 2024”, segundo André Macedo, gerente da PIM.
Segundo Macedo, houve “uma disseminação de taxas negativas” no segundo mês do ano. Além disso, ele ressalta os efeitos do arrocho monetário sobre o setor e a inflação dos alimentos “impactando a renda das famílias”.
“Essa perda de dinamismo da indústria tem relação com a redução dos níveis de confiança das famílias e dos empresários, explicada, em grande parte, pelo aperto na política monetária (com o aumento das taxas de juros a partir de setembro de 2024), a depreciação cambial (pressionando os custos de produção) e a alta da inflação (especialmente a de alimentos, o que impacta na renda disponível das famílias)”, disse André Macedo.
Para a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ao analisar o resultado da pesquisa do IBGE, o cenário esperado para 2025 “é de desaceleração da atividade industrial, como resultado, sobretudo, da política monetária contracionista em um ambiente marcado por condições financeiras já restritivas. O elevado patamar das taxas de juros – tanto internacionais quanto domésticas – é o principal fator que explica a manutenção das condições financeiras em campo restritivo”.

Na passagem de janeiro para fevereiro, duas das quatro grandes categorias econômicas e 14 dos 25 ramos industriais pesquisados tiveram queda na produção.
Entre as principais atividades em queda, destacadas pela pesquisa, estão os produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-12,3%), máquinas e equipamentos (-2,7%), produtos de madeira (-8,6%), produtos diversos (-5,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-1,4%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-1,5%) e móveis (-2,1%).
Entre as 11 atividades que apresentaram alta na produção, as indústrias extrativas (2,7%) e produtos alimentícios (1,7%) exerceram os principais impactos em fevereiro de 2025. Registraram resultados positivos os ramos de produtos químicos (2,1%), celulose, papel e produtos de papel (1,8%), produtos de borracha e de material plástico (1,2%) e outros equipamentos de transporte (2,2%).
Entre as grande categorias econômicas, em janeiro, na comparação com o mês anterior, os setores de bens de consumo duráveis (-3,2%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,8%) registraram quedas, eliminando parte do crescimento verificado no mês anterior (3,8% e 3,2%, respectivamente).
Pelo lado positivo, ficaram os setores de bens de capital (0,8%) e bens intermediários (0,8%), com o primeiro marcando o segundo mês seguido de expansão na produção, acumulando ganho de 3,2%, e o último eliminando parte da queda de 1,6% verificada no mês anterior.
Em relação a fevereiro de 2024, a indústria teve crescimento de 1,5% na sua produção, nono resultado positivo seguido. No ano, acumula alta de 1,4% e, em 12 meses, expansão de 2,6%. Com esses resultados, a indústria se encontra 1,1% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 15,7% aquém do ponto mais alto da série histórica, obtido em maio de 2011.