STF manda PF investigar espionagem contra secretário da Prefeitura do Recife

Foto: Prefeitura recife

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal (PF) investigar a suspeita de espionagem contra o secretário de Articulação Política e Social de Recife (PE), Gustavo Queiroz Monteiro, e o irmão dele, Eduardo Monteiro. O ministro determinou o trancamento de um outro caso de investigação de três secretárias da gestão municipal.

De acordo com a decisão publicada na última sexta-feira (30), as secretárias Luciana Caroline Albuquerque D’Angelo, da Saúde; Maíra Fischer, de Administração; e Adynara Maria Queiroz Melo Gonçalves, executiva de Articulação e Fortalecimento dos Conselhos da Secretaria de Direitos Humanos e Juventude, afirmam que estão sendo alvo de investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de Pernambuco.

A petição é apresentada pelo PSB, partido do prefeito João Campos, e subscrita pelas secretárias. Segundo o processo, a apuração contra as secretárias teve início para investigar supostas irregularidades na adesão do Município do Recife a atas de registro de preços de consórcios intermunicipais.

Em suas redes sociais, o prefeito João Campos (PSB) comentou sobre a parte da decisão do STF que determinou a abertura do inquérito sobre a atuação do que ele chamou de “polícia paralela” montada de forma “clandestina e criminosa” em Pernambuco.

“A Polícia Federal agora está no caso. A decisão do Supremo Tribunal Federal chega para fazer justiça. A PF agora está autorizada a investigar a ação clandestina de monitoramento e de espionagem ilegal conduzida pela Polícia Civil. É hora de Pernambuco saber: quem deu a ordem? A quem interessou agir à margem da lei? Por que fazer isso em pleno ano eleitoral?”, disse.

“Desde o primeiro momento, alertei para a gravidade da situação. Sou favorável que toda investigação seja feita, desde que ela cumpra o que prevê a legislação. Como a própria decisão do STF traz, Pernambuco e o Brasil não podem assistir a nenhum tipo de vigilância com finalidade política”, continuou.

João Campos classificou a situação como “inaceitável” e que “parte da Polícia Civil está sendo utilizada para fins eleitorais e políticos sem nenhum ato formal”.

“Parte da Polícia Civil sendo utilizada para fins eleitorais e políticos sem nenhum ato formal, sem B.O, sem inquérito, carro oficial da prefeitura sendo rastreado, servidores sendo seguidos, tudo de forma clandestina e criminosa. Isso é inaceitável”, disse.

“Atos assim não podem ficar impunes. A participação da Polícia Federal será decisiva para apurar, investigar e chegar até o final de um processo que só teve de formal um grupo no WhatsApp. Volto a registrar o meu respeito pela Polícia Civil, que nunca poderá ser transformada em polícia paralela ou em polícia política”, continuou.

“Eu não serei, sob nenhuma hipótese, conivente com quem aceita a atitude ilegal e clandestina de estimular a perseguição eleitoral. Tenho certeza de que a verdade vai prevalecer. Para que a pessoa que deu a ordem seja devidamente responsabilizada e para que a confiança nas instituições seja preservada”, afirmou o prefeito.

Em suas redes, a governadora Raquel Lyra (PSD) afirma que, sob seu comando, “nada nem ninguém jamais deixará de ser investigado se houver indícios suficientes para isso”.

“A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição de estado com autonomia e responsabilidade funcional. Ela não pertence e não serve a interesses políticos e jamais será instrumento de ninguém. Não é hora de distorcer fatos nem transformar um tema técnico em palco eleitoreiro”, declarou.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *