Entidades representativas dos trabalhadores que mais sofrem com a jornada de trabalho 6×1, os trabalhadores do setor de alimentação, se reuniram com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, no intuito de reforçar a luta pela implantação da escala 5×2 e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem corte salarial.
Em carta entregue ao ministro, as entidades afirmam que “as atividades desenvolvidas nos frigoríficos exigem esforço físico repetitivo associado à carga mental, e são realizadas em ambientes com temperaturas em torno de 12 graus, com risco de vazamento de gases de amônia – o que constantemente tem ocorrido, causando inúmeros desmaios em trabalhadores –, exposição a altos níveis de ruídos, umidade e risco de contaminação por agentes biológicos, entre outros riscos ocupacionais”.
“Desta forma”, ressaltam as confederações, “a diminuição da jornada no trabalho irá trazer um imenso benefício à saúde destes trabalhadores e trabalhadoras de forma geral e, de modo muito especial, com relação à saúde das gestantes, motivo pelo qual já apresentamos à Ministra das Mulheres, Senhora Márcia Lopes, uma proposta que proíbe que mulheres gestantes, durante sua gravidez, trabalhem em atividades expostas às condições mencionadas, razão pela qual gostaríamos de poder contar com o apoio de Vossa Excelência também para este tipo de questão específica do nosso setor”, afirmam.
As entidades ressaltaram a urgência da implantação de uma escala de trabalho mais humana, especialmente para mais de um milhão e setecentos mil trabalhadores do setor da alimentação. “O adoecimento dos trabalhadores e trabalhadoras em frigoríficos está chegando ao ponto do insuportável!”, afirmou Artur Bueno de Camargo, presidente da CNTA.
No encontro, os representantes da CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação e Afins), da CONTAC (Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação da CUT) e da UITA (União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação), também anunciaram ao ministro o lançamento da Frente Nacional da Categoria da Alimentação, “com o intuito de organizar e realizar caravanas itinerantes, focadas na mobilização e no voto consciente do trabalhador”.











