Dirigentes sindicais que representam trabalhadores dos Correios se reuniram, em 6 de fevereiro, com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em São Paulo, para discutir os efeitos do julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e da liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho da categoria. O encontro teve como objetivo apresentar as reivindicações dos trabalhadores e buscar alternativas para garantir a aplicação dos direitos negociados na campanha salarial.
A reunião foi realizada na sede do Sindicato da Construção Civil de São Paulo e contou com a presença de dirigentes da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT) e de sindicatos filiados. Participaram o presidente do SINDECTEB (Bauru e Região) e da FINDECT, José Aparecido Gandara; o vice-presidente da FINDECT e presidente do SINTECT-SP, Elias Diviza; e o presidente do SINTECT-Santos, José Antônio.
O dissídio coletivo de greve foi julgado pelo TST em 30 de dezembro de 2025 e manteve a maior parte dos direitos da categoria. No entanto, a direção dos Correios recorreu ao STF e, em 26 de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes concedeu liminar suspendendo quatro cláusulas do acordo coletivo.
Entre os pontos suspensos estão disposições sobre o plano de saúde, o vale-alimentação extra, o pagamento de 200% para o trabalho em domingos e feriados e o adicional de férias de 70%. Os sindicatos afirmam que esses itens estavam entre as principais reivindicações apresentadas pelos trabalhadores durante a campanha salarial.
Durante o encontro, os dirigentes sindicais relataram ao vice-presidente os impactos das decisões judiciais sobre a categoria. Segundo José Aparecido Gandara, a reunião buscou abrir diálogo com o governo federal sobre o impasse. “O dissídio reconheceu parte importante dos direitos, mas a liminar trouxe incertezas para os trabalhadores. Nosso objetivo é construir uma solução que assegure a aplicação do acordo coletivo”, afirmou.
O presidente da FINDECT, José Aparecido Gandara, destacou que o diálogo com o governo é fundamental para superar o impasse. “O TST reconheceu os direitos da categoria, mas o recurso da empresa e a liminar do STF trouxeram novos problemas. Estamos dialogando com o governo para construir uma solução justa e definitiva.”
O vice-presidente da entidade, Elias Diviza, ressaltou que a campanha salarial segue em curso na defesa dos direitos dos trabalhadores. “A categoria continua mobilizada para que os direitos definidos no dissídio sejam respeitados e implementados. Essa é a principal reivindicação dos trabalhadores neste momento”, disse.
Já o presidente do SINTECT-Santos, José Antônio, afirmou que os sindicatos seguem acompanhando os desdobramentos e reafirmando suas pautas. “Os trabalhadores cobram segurança em relação ao plano de saúde, ao vale-alimentação e às demais cláusulas suspensas. Seguiremos dialogando com o governo e com a empresa para garantir essas condições”, declarou.
Em manifestações anteriores, os Correios afirmaram que recorreram ao Supremo Tribunal Federal para questionar cláusulas do acordo coletivo com base em limitações orçamentárias e em critérios de gestão, e que seguem cumprindo as decisões judiciais em vigor. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem acompanhado o caso e defendido a retomada das negociações entre a empresa e os sindicatos como caminho para resolver o impasse.
A FINDECT reiterou que continuará acompanhando o processo judicial e as negociações com a empresa e o governo federal, com foco na manutenção das cláusulas negociadas e na conclusão da campanha salarial dos trabalhadores dos Correios.











