A Itália foi paralisada, nesta sexta-feira (28), por uma greve geral em todos os setores públicos e privados numa jornada de protesto contra o orçamento do Estado para o próximo ano, exigindo direitos trabalhistas e condenando o aumento dos gastos militares em detrimento dos programas sociais.
Batizada como «sexta-feira negra» por coincidir com a ‘black friday’ comercial, a greve afetou os transportes (aéreos, ferroviários, metrôs e ônibus), escolas, serviços de saúde, com grande adesão, em forte manifestação contra o projeto de orçamento para 2026 do governo ultraconservador liderado pela primeira-ministra de ultra-direita, Giorgia Meloni.
Os jornalistas, parando pela primeira vez em 20 anos, exigiram a renovação da convenção coletiva de trabalho, que não é atualizada desde 2016 — estando os salários ‘congelados’ desde então -, e também defenderam “a importância da informação na vida democrática”, num protesto convocado pela Federação Nacional da Imprensa Italiana (FNSI) com uma magnitude que há décadas não se via na Itália, como confirmou, esta sexta-feira, a Federação.
A paralisação deixou praticamente vazias as redações, pelo que no sábado muitos jornais nem chegaram às bancas na sua edição em papel, os sítios de Internet dos principais jornais diários não foram atualizados, e as agências de notícias Ansa e AGI fecharam mesmo por 24 horas o fio noticioso, enquanto vários canais televisivos, como o canal de informação Rai News 24, anunciam “programação reduzida” para todo o dia.
TRANSPORTE EM TODOS OS SETORES ADERIU À GREVE
Nas principais estações ferroviárias, em Milão, Roma e Nápoles, os painéis de chegadas e partidas exibiam longas listas de cancelamentos e atrasos. A paralisação envolveu trabalhadores da Trenitalia, Trenord e Italo, e os serviços foram normalizados só à noite. Funcionários do setor aéreo também aderiram, provocando o cancelamento e atrasos de voos regionais.
Os trabalhadores exigem aumentos salariais para compensar o crescente custo de vida, um reajuste das pensões com base na inflação atual, além de redução da jornada de trabalho, a implementação de um salário mínimo legalmente obrigatório e a estabilização dos contratos de trabalho temporário.
Eles também condenaram a privatização de empresas de energia, serviços postais, telecomunicações, transporte público, serviços ambientais, saúde e educação, bem como a disparidade salarial entre homens e mulheres, acrescentou a União Sindical de Base (USB).
MARCHAS EM APOIO À PALESTINA ACONTECERAM EM VÁRIAS CIDADES
Neste contexto, protestos em apoio à Palestina ocorreram em várias cidades italianas. Os manifestantes acusam o governo e a União Europeia de serem cúmplices da agressão israelense contra o povo palestino.
Em Gênova, na região da Ligúria, o ato contou com a participação de ativistas humanitários, incluindo a sueca Greta Thunberg e a relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese, além do ex-ministro grego Yanis Varoufakis.
Hoje, sábado (29), uma grande marcha pró-Palestina avançou, em Roma, da Porta San Paolo seguindo até a San Giovanni. Outra marcha, aconteceu em Milão, na Piazzale XXIV Maggio rumo à Piazza Fontana, atrás da Piazza del Duomo.











