O presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou no sábado (24) impor “tarifas de 100%” sobre as importações canadenses para os Estados Unidos caso um acordo comercial entre Canadá e China seja finalizado
Na semana passada, o premiê canadense Mark Carney realizou uma visita oficial de quatro dias à China, e declarou que o Canadá considera “estratégico” um acordo comercial com Pequim. Ele acrescentou que a China oferece “enormes oportunidades”.
As relações entre os Estados Unidos entraram em parafuso após a ameaça de Trump de anexar o Canadá como o “51º estado dos EUA” e da guerra tarifária que decretou, com Carney declarando no Fórum de Davos que seu país está em processo de “ruptura” com a ordem unilateral de Washington.
No discurso em Davos, Carney também afirmou estar trabalhando com “urgência e determinação para diversificar nossas parcerias comerciais e catalisar novos níveis de investimento”.
Ao ser recebido em Pequim pelo presidente Xi Jinping, Carney afirmara que a relação Canadá-China “não só aprofundará laços bilaterais em benefício dos povos, como também, a nosso ver, ajudará a melhorar o sistema multilateral, sob pressão nos últimos anos”.
O presidente Xi saudou os progressos alcançados desde que, nos últimos meses, as duas partes “retomaram e relançaram” a relação.
Como um dos resultados das negocições China-Canadá, o Canadá inicialmente permitirá a entrada de até 49.000 veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1% nos termos do país mais favorecido, segundo a Xinhua.
Correspondentemente, a China ajustará suas medidas antidumping sobre canola e medidas antidiscriminação sobre certos produtos agrícolas e aquáticos canadenses, de acordo com as leis e regulamentos relevantes.
Anteriormente, o Canadá chegara a se sujeitar a ordem de Washington no primeiro mandato de Trump para virtualmente sequestrar durante uma escala em Toronto a diretora financeira da gigante chinesa da alta tecnologia, Huawei, por meses, decretando sua prisão, por supostamente violar uma sanção americana contra o Irã, até finalmente ter de recuar.
Possesso com a normalização das relações Canadá-China, Trump correu à sua plataforma Truth Social para nova ameaça.
Se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, ele postou. Acrescentando que “se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
Nessa postagem, Trump tratou o primeiro-ministro canadense como “governador Carney” – numa repetição do desaforo que cometera em relação ao antecessor, Trudeau.
No sábado, o primeiro-ministro reagiu e, sem citar Trump, convocou os cidadãos canadenses a “comprar canadense” em resposta à “ameaça externa”.
“Estamos comprando canadense e construindo canadense” postou Carney no X. E concluiu: “com nossa economia sob ameaça externa, os canadenses fizeram uma escolha: focar no que podemos controlar”.
Matéria publicada em parceria com a agência de notícias Xinhua











