Trump ameaça invadir a Venezuela “por terra e em breve”

Em mais uma tirada ameaçadora contra a Venezuela, Trump declarou que vai ordenar “operações por terra” e que isto deve ocorrer “em breve”.  

Em uma visita a tropas norte-americans, ele afirmou, nesta quinta-feira (27), que a invasão faria parte das suas mal-denominadas “operações antinarcóticos” conduzidas até aqui por Washington com ataques a barcos no Pacífico e Caribe.

As recentes declarações de Trump acontecem após outras rodada de ameaças quando, em meados de outubro, disse que havia autorizado a famigerada CIA a “realizar operações no interior da Venezuela”.

Coisa que aliás já faz a muito tempo, haja vista a tentativa de golpe contra o presidente Hugo Chaves e o colaboracionismo de Gaidó e Corina no golpismo anti-bolivariano. Coisa que até valeu a Corrina o duvidoso Prêmio Nobel da Paz.

Seguindo em sua fala que pretende usar um inexistente vínculo de Maduro com o narcotráfico, o inquilino da Casa Branca disse ainda que “nas últimas semanas”, as forças de Washington “têm trabalhado para dissuadir a Venezuela e os narcotraficantes, que são muitos”.

 “Já estamos fazendo muito. Vocês provavelmente já perceberam, já que eles enviam seus venenos (drogas) para os EUA, onde matam centenas de milhares de pessoas todos os anos”, continuou Trump em sua campanha de olho no petróleo venezuelano e na abordagem contra os laços com a China que já importa 90% do petróleo da Venezuela.

AGRESSÃO DOS EUA ENVOLVE MAIOR PORTA-AVIÕES DO MUNDO

A Venezuela tem sido alvo constante de pressões por parte dos Estados Unidos, com sanções econômicas e bloqueios financeiros e, agora parte para o cerco por mar, com navios, como o maior porta-aviões do mundo ao Mar do Caribe, no dia 11 de novembro. O USS Gerald Ford, da Marinha dos Estados Unidos, deixou o Mar mediterrâneo para reforçar “o combate ao narcotráfico na América Latina”, argumentou o Pentágono.

Segundo a agência de notícias Reuters, desde agosto, o governo americano enviou pelo menos 13 navios de guerra, cinco navios de apoio e um submarino nuclear para a América Latina. Essas embarcações, capazes de transportar 15.000 soldados, estavam em bases militares ou próximas a regiões em guerra, como a Ucrânia. Deslocá-las para próximo da Venezuela aumenta a tensão entre os dois países.

Em resposta, as Forças Armadas Bolivarianas — incluindo milícias civis — iniciaram uma nova fase de exercícios militares em todo o território. O Ministério da Defesa do país falou em um “desdobramento maciço” de forças terrestres, aéreas, fluviais e de todo o sistema de armas, afirmando que o país está pronto para defender sua soberania diante da “ameaça imperialista”.

“O REAL INTERESSE DE WASHINGTON É O PETRÓLEO”

O presidente Nicolás Maduro vem reiteradamente denunciando que o país é alvo de “uma guerra de múltiplas facetas” orquestrada pelos Estados Unidos, apontando que a presença militar americana perto da costa do país tem como objetivo provocar uma mudança de regime. Ele já tentou negociar com o governo Trump, porém sem sucesso. 

A Venezuela tem a maior reserva de petróleo do mundo, estimada em cerca de 300 bilhões de barris que a “Nobel da Paz” Corina Machado já prometeu privatizar em favor da Exxon e Chevron, desde que os Estados Unidos a ajudem a derrubar o presidente venezuelano.

O presidente Maduro reafirma que “o verdadeiro interesse de Washington na Venezuela é o petróleo e gás que eles querem de graça. Esse petróleo não pertence a Maduro, muito menos aos americanos, ele pertence ao povo da Venezuela”. Ele chamou o envio dos navios de guerra norte-americanos à região de “a maior ameaça à América Latina do último século” e afirmou que a Venezuela não se curvará. “Se a Venezuela for atacada, passaria imediatamente ao período de luta armada em defesa do território nacional, da história e do povo venezuelano”, declarou.

A esse respeito, ele observou que, de acordo com pesquisas recentes realizadas por empresas de pesquisa de opinião de prestígio, “82% dos venezuelanos dizem estar dispostos a defender sua pátria com armas em punho”.

MAIS DE 20 ATAQUES E 80 MORTOS

Desde agosto passado, os EUA mantêm uma força militar significativa posicionada na costa da Venezuela, justificando-a como parte da luta contra as drogas. Washington anunciou posteriormente a Operação Lança do Sul, com o objetivo oficial de “eliminar os narcoterroristas” do Hemisfério Ocidental e “proteger” os EUA “das drogas que estão matando” seus cidadãos.

Como parte dessas operações, foram realizados bombardeios contra supostos navios de narcotráfico, elevando o número de vítimas para quase 80 pessoas, em mais de 20 ataques desde o início da operação ao longo da costa venezuelana, sem nenhuma evidência de que esses navios realmente traficavam narcóticos.

A ONU e a própria Agência Antidrogas dos EUA (DEA) apontam que a Venezuela não é uma rota principal para o tráfico de drogas para os EUA, já que mais de 80% das drogas que circulam na região chegam pelos Estados Unidos através da rota do Pacífico.

A Rússia, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e os governos da Colômbia, México e Brasil condenaram as ações dos EUA. Especialistas descrevem os ataques aos navios como “execuções sumárias” que violam o direito internacional.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *