O ditador Trump ameaçou os veículos de comunicação dos EUA de processo por “traição”, acusando-os de “conluio” consciente com o Irã para lançar dúvidas sobre a inexistente “vitória” decisiva de Washington na agressão que desatou na região em conjunto com Israel
Na sua peroração contra a liberdade de expressão e compromisso com a verdade, Trump afirmou que veículos de “notícias falsas” estavam espalhando informações mentirosas e imagens de navios e prédios em chamas geradas por inteligência artificial, e acusou a mídia de trabalhar em coordenação com o Irã para “espalhar desinformação”.
Como temos visto nos dias mais recentes, jornais como New York Times, Washington post e Wall Street Journal não conseguem esconder as baixas norte-americanas na região e os locais atingidos por todo Israel com os mísseis iranianos superando o Domo de Ferro que, se supunha, tornavam o território israelense uma fortaleza inexpugnável.
Portanto, a ameaça de Trump só mostra o desespero com as baixas inesperadas e sua vã expectativa de silenciar a imprensa crítica e a acusa de traição, relatórios oficiais de guerra e reportagens do The New York Times, New York Post e CNN, entre outros, confirmam que os ataques iranianos contra alvos americanos são uma dura realidade, e não invenções “falsas”.
“O fato é que o Irã está sendo dizimado, e as únicas batalhas que eles ‘vencem’ são aquelas que eles criam por meio de inteligência artificial e que são divulgadas por veículos de mídia corruptos”, diz Trump tentando enganar uma opinião pública cada vez mais cética e mais contrária à bárbara agressão.
Segundo ele, algumas das imagens mostram inexistentes “barcos kamikaze” e porta-aviões em chamas, o que ele descartou como propaganda gerada por inteligência artificial com o objetivo de retratar o Irã como militarmente bem-sucedido. Ele mente ao afirmar que apenas uma aeronave foi danificada e permanece fora de serviço desde a escalada do conflito em 28 de fevereiro.
Trump descreveu os veículos que publicaram as reportagens como “Organizações de ‘Notícias’ Corruptas e Altamente Antipatrióticas”, acrescentando que a mídia que divulga informações “conscientemente FALSAS” “deveria ser processada por TRAIÇÃO pela disseminação de informações falsas”.
PROPÕE PROIBIR IMPRENSA DE OPERAR
Alguns dos ataques que espalhou são especialmente fora da realidade. No último fim de semana, em postagens separadas nas redes sociais, ele atacou o The New York Times, o The Wall Street Journal, aos que chamou
de “imprensa radical de esquerda”, por espalharem o que ele chamou de mentiras e sugeriu que a FCC (Comissão Federal de Comunicações) deveria proibi-los de operar. No entanto, essa agência federal só tem autoridade sobre televisão e rádio. Veículos de notícias online e mídia impressa não estão sob seu controle, mostrando a alienação do presidente.
“O presidente Trump passou os últimos 10 anos atacando a mídia — desde semear desconfiança por meio de insultos constantes até processar emissoras por coberturas que ele não gosta, ou remover representantes da imprensa de coletivas de imprensa por motivos absurdos, como o nome que se deve dar ao Golfo do México”, assinalou Tom Jones, um repórter veterano que agora trabalha no Instituto Poynter de Jornalismo, Verdade e Democracia, na Flórida.
“Hoje em dia, aqui nos Estados Unidos, o que acontece quando a imprensa cobre com precisão e firmeza o que está se tornando uma guerra cada vez mais impopular? Jornalistas são ameaçados”, refletiu ele.
“ELES SE FORAM”
O governo não está escondendo sua agenda. “Trump está remodelando a mídia”, diz o título de um infográfico que o próprio presidente publicou em suas redes sociais na última sexta-feira. Sob o título “Eles se foram”, Trump identificou a televisão pública (cujo financiamento federal foi cortado), criticou o comediante Stephen Colbert (cujo talk show noturno foi cancelado pela CBS, emissora comprada por um dos amigos bilionários do presidente) e listou outras 10 pessoas que perderam seus empregos e/ou financiamento.
Os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques coordenados contra a República Islâmica no final de fevereiro, o que desencadeou ataques retaliatórios iranianos em toda a região.
Relatos apontam que mais de dez aeronaves americanas foram danificadas ou destruídas, incluindo vários aviões de reabastecimento atingidos na Arábia Saudita, caças supostamente perdidos por fogo amigo, vários drones e um avião de reabastecimento abatido no Iraque, além de danos a bases regionais e o fogo que demorou horas para ser extinto a bordo do porta-aviões Gerald Ford.











