No 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, nesta sexta-feira (23), Lula denunciou que a “lei do mais forte está prevalecendo”
O presidente Lula criticou publicamente a proposta de Donald Trump de criar um “conselho” à margem da Organização das Nações Unidas (ONU).
“O que está acontecendo no mundo? [O Trump] quer criar sozinho uma nova ONU, como se ele fosse a própria ONU”, disse. “Em que ele, sozinho, é o dono da ONU”.
As declarações do presidente se deram em discurso no 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, nesta sexta-feira (23).
Lula foi convidado pelo norte-americano para integrar o tal “Conselho da Paz”, mas ainda não respondeu oficialmente.
Lula advertiu que a manobra do presidente dos EUA busca esvaziar a ONU, substituindo o diálogo internacional pela força. “O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo. A lei do mais forte está prevalecendo”, denunciou Lula, classificando a situação atual do mundo como um momento delicado da política internacional.
O presidente questionou o desprezo de Trump pela Carta da ONU, que vem sendo ignorada por decisões unilaterais e enfraquecem os mecanismos coletivos de mediação.

A proposta de Trump equivale à tentativa de criar uma “nova ONU”, controlada por um único país, enfatizou Lula. Trump se autodeclarou líder do seu “conselho”, centralizando decisões estratégicas. Ele será o único com poder de veto.
A panelinha internacional de Trump só teve até agora a adesão 23 países, quando eram esperados 60. Entre os que aceitaram fazer parte estão Argentina, Hungria e Israel. Países da Europa recusaram o convite de Trump, entre eles França, Alemanha, Noruega, Eslovênia, Espanha e Suécia.
O presidente Lula disse que está buscando diálogo com várias lideranças no mundo. Ele relatou que já teve conversas com os líderes da Rússia, China, Índia e México, com o objetivo de construir uma articulação internacional em defesa do multilateralismo. “Estou há uma semana telefonando para muitos países, tentando ver se é possível encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado no chão”, afirmou.
Ele criticou a proposta de reconstrução de Gaza defendida por Trump. “Mataram mais de 70 mil pessoas para dizer que vão recuperar Gaza e fazer hotel de luxo. E o povo que morreu?”, questionou.
Lula ainda condenou a fala belicista de Donald Trump. “Toda vez que ele fala na televisão, diz que tem o exército mais forte do mundo, os melhores aviões, as melhores armas”, comentou.
“Não quero fazer guerra com os Estados Unidos, nem com a China, nem com a Bolívia”, afirmou. “A guerra que queremos fazer é a do convencimento, mostrando que a democracia é imbatível, compartilhando o que temos de bom”.
O presidente citou ainda o renomado líder da independência da Índia, Mahatma Gandhi. “Gandhi derrotou o Império Britânico sem dar um tiro. É assim que queremos fazer política, na paz, na conversa, no diálogo, e não aceitando imposição”, acrescentou.











