Trump recua e Irã comemora vitória sobre EUA e Israel

Unidade do povo iraniano foi decisiva para a vitória sobre a agressão de Trump (Telegraph Herald)

Após iniciar o dia ameaçando destruir à noite uma “civilização [persa] inteira”, o ditador dos EUA, Donald Trump, recuou e, como confirmado pelo Irã entrará em vigor um cessar-fogo de duas semanas para finalizar negociações em curso. Sem combates, o Estreito de Ormuz estará aberto. Os EUA e o Irã destacaram que o plano de 10 pontos apresentado por Teerã será a base das negociações, que vêm sendo intermediadas pelo Paquistão.

O recuo de Trump ocorre após o fracasso, no domingo, do que parece ser uma tentativa de roubar o urânio enriquecido em Isfahan usando como disfarce o resgate de um piloto; o veto da Rússia e China à resolução do Conselho de Segurança da ONU que legitimaria o uso da força contra o Estreito de Ormuz; a contundente retaliação do Irã na contra as bases americanas na região e contra Israel; e o repúdio, no mundo inteiro, à ameaça de “destruição de uma civilização inteira, que não irá ressuscitar” expelida por Trump. E quando, nos EUA, a sete meses da eleição 66% dos americanos são pelo fim da guerra.

Trump, através de postagem em sua plataforma Truth Social, disse que “suspenderia o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas” — uma decisão que ele descreveu como um “CESSAR-FOGO de duas faces.” Ele acrescentou que a suspensão está “sujeita ao acordo da República Islâmica do Irã com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz.”

O chefe da Casa Branca justificou seu recuo “com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria empregada esta noite contra o Irã”.

Segundo o PressTV, o Irã declarou uma “derrota histórica e esmagadora” dos Estados Unidos e do regime israelense após 40 dias de guerra, anunciando que Washington foi forçado a aceitar uma proposta iraniana de 10 pontos que inclui um cessar-fogo permanente, o levantamento de todas as sanções e a retirada das forças de combate americanas da região.

O anúncio ocorre no dia 40 da guerra de agressão entre EUA e Israel contra o Irã, que começou com o assassinato do Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e de comandantes de alta patente em 28 de fevereiro.

De acordo com a declaração iraniana, os 10 pontos são: Não agressão contra o Irã; controle contínuo iraniano sobre o Estreito de Ormuz; aceitação do direito do Irã ao enriquecimento de urânio; levantamento das sanções, cessação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA contra o Irã; compensação pelos danos infligidos ao Irã; retirada das forças de combate dos EUA da região; e cessação da guerra em todas as frentes, inclusive contra a Resistência Islâmica no Líbano.

O anúncio iraniano veio horas depois de Trump ter anunciado que concordou com uma suspensão de duas semanas dos bombardeios e ataques ao Irã, sujeita à reabertura do Estreito de Ormuz por Teerã.

O Estreito de Ormuz, que transporta aproximadamente um quinto do petróleo mundial, tem sido efetivamente bloqueado pelo Irã desde que os EUA e Israel lançaram sua guerra de agressão ilegal e não provocada contra a República Islâmica do Irã em 28 de fevereiro, assassinando ainda o líder supremo Ali Khamenei e altos comandantes iranianos e cometendo uma chacina em uma escola primária.

Trump alegou ainda que “todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos” e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão “avançadas”. Segundo ele, os EUA receberam uma proposta de plano de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação. Trump declarou que quase todos os pontos de divergência já foram acordados entre os dois países.

Coube ao ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmar o acordo com Washington. Segundo ele, Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos. Ele acrescentou que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições.

“Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas.”

O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. As conversas devem começar na sexta-feira (10), no Paquistão.

Segundo autoridades da Casa Branca, Israel também fará parte da trégua. Na mesma linha, a mídia israelense disse que o cessar-fogo também inclui o Líbano.

Ao anunciar o cessar-fogo o Conselho de Segurança do Irã descreveu os últimos 40 dias como uma das “batalhas combinadas mais pesadas da história”, nas quais o Irã e seus aliados no Líbano, Iraque, Iêmen e Palestina ocupada infligiram golpes que “a memória histórica do mundo jamais esquecerá.”

O órgão afirmou ainda que o inimigo inicialmente imaginava uma vitória militar rápida, acreditando que as capacidades de mísseis e drones do Irã seriam “rapidamente extintas”, e observou que o “vil sionismo global” convenceu o “ignorante presidente dos Estados Unidos” de que a guerra acabaria com o Irã.

Ao declarar vitória, o órgão de segurança de alto nível também pediu vigilância contínua. “Parabenizamos todo o povo do Irã por esta vitória”, dizia o comunicado, “e enfatizamos que, até que os detalhes dessa vitória sejam finalizados, ainda é necessário a resiliência e prudência dos oficiais e a preservação da unidade e solidariedade entre o povo iraniano.”

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