Trump tem condenação generalizada por vídeo racista com o casal Obama como macacos

Post racista de Trump foi amplamente rejeitado (Rolling Stone)

Governador da Califórnia classificou o vídeo de Trump como “repugnante”

O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou na quinta-feira (5) na sua rede Truth Social um vídeo racista que retrata o ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle como macacos, causando revolta e nojo. A postagem foi classificada como “repugnante” pelo governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, enquanto o repúdio segue reverberando no país inteiro.

Ao final do vídeo de um minuto cujo tema aparenta ser a eleição de 2020 que Trump perdeu, os rostos dos Obamas aparecem sobrepostos aos corpos de macacos por cerca de um segundo, enquanto a canção “The Lion Sleeps Tonight” toca ao fundo.

Essa representação do casal Obama como macacos retoma a linguagem racista usada por segregacionistas e traficantes de escravos para desumanizar afro-americanos e justificar linchamentos. Na base trumpista, o vídeo racista recebeu milhares de “likes” em poucas horas.

Anteriormente, durante o Mês da História Negra, Trump já retratara em vídeo Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, como macaco.

“HORA DE VIRAR A PÁGINA”

Trump costuma fazer provocações para mobilizar sua base fascista e desviar o assunto, no caso, o escândalo Epstein. Há dois dias, ele recomendara que o país “virasse a página” no caso Epstein.

A explicitação do racismo funciona como cereja no bolo de uma peroração de Trump sobre as “eleições fraudadas” de 2020, em que ele requenta a farsa de que teria sido “roubado” – quando todo mundo sabe que foi o levante contra o brutal assassinato do negro George Floyd por um policial branco o que desencadeou a reviravolta eleitoral, além da carnificina na epidemia do Covid sob o negacionismo – e no 6 de janeiro de 2021 ele convocou a invadir o Capitólio para fraudar a eleição e quase funciona.

Agora, o vídeo requenta a alegação falsa que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems ajudou a roubar a eleição de 2020 de Trump.

Na terça-feira, Trump havia chamado os republicanos a “nacionalizar a eleição” em “pelo menos 15 estados”, quando, pela constituição, a eleição é conduzida por cada estado.

A nove meses das eleições, todos os alertas vermelhos estão piscando no QG trumpista, depois de perderem as oito eleições completares legislativas que ocorreram neste segundo mandato e da fuga acelerada dos eleitores latinos, em razão da perseguição aos imigrantes. Depois de 30 anos, os democratas elegeram o prefeito de Miami.

Os republicanos também vêm manipulando os distritos eleitorais, para reagrupá-los de forma a tirar vagas dos democratas, como já fizeram no Texas. E, atualmente, sua vantagem na Câmara está reduzida a quatro cadeiras em 435.

INVESTIDA DE TULSI EM ATLANTA

A própria conselheira de Segurança Nacional de Trump, Tulsi Gabbard, foi pessoal e estranhamente a uma investida do FBI na Geórgia, contra um centro de apurações de Atlanta, no que mais parece ser uma tentativa de fabricar os 11 mil votos que notoriamente Trump pediu à autoridade eleitoral do Estado, para virar a mesa, e ouviu um “não” em 2020.

Notavelmente, a própria Gabbard telefonou dali para a Casa Branca, para que Trump pudesse falar com os agentes envolvidos na operação. O próprio Trump já advertiu que, se perder o controle do Congresso em novembro, “sofrerá impeachment”. “Vamos ser presos”, preocupou-se o ex-guru Bannon.

Diante da ojeriza ao vídeo, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, criticou a “indignação falsa”, alegando se tratar apenas de um meme da internet que “mostra Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão”. Como se o racismo de Trump ainda precisasse ser demonstrado depois dos “Cinco dos Central Park” e sua apologia aos bons tempos do escravismo. Desde a grande luta encabeçada por Martin Luther King, que pôs abaixo o apartheid no sul, os EUA não tinham um presidente tão notoriamente racista.

Depois de 12 horas no ar, vídeo foi retirado e agora culpam funcionário da Casa Branca por havê-lo postado “por engano”.

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