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O presidente Trump 2.0 anunciou nesta quarta-feira (26) que estará, em duas semanas, vendendo a cidadania norte-americana aos estrangeiros abonados, pela módica quantia de US$ 5 milhões (R$ 267 milhões), através do “Gold Card” (literalmente, Cartão Ouro) que está criando, enquanto sua gestapo da fronteira segue realizando uma impiedosa caçada aos imigrantes no país inteiro e não param os voos de deportados “indesejáveis” e, claro, devidamente algemados.
Agora, esqueçam as acusações de que a caçada de Trump aos imigrantes – em geral, latinos, africanos e asiáticos – é essencialmente racismo e xenofobia e para criar um “inimigo interno” que sirva de bode expiatório para o fascismo norte-americano.
Não, nada de pessoal, only business – desde que o estrangeiro chegue com uma maleta cheia de dólares. E se for bem branquinho, melhor ainda.
Segundo Trump, a venda de cidadania a milionários estrangeiros irá ajudar os EUA “a pagarem a dívida pública do país”, além de supostamente oferecer às corporações uma maneira de “atrair os melhores trabalhadores imigrantes”.
Pelo tamanho da dívida pública norte-americana atual, é pouco provável que, a menos que haja uma inundação de candidatos ao Gold Card, isso seja de alguma valia no atual estágio de decadência dos EUA.
Por sua vez, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, disse que o Gold Card irá substituir o atual programa para investidores, conhecido como EB-5, que permite que estrangeiros solicitem residência permanente caso criem empregos para norte-americanos ou invistam no país.
Para Lutnick, o programa EB5 vende visto de residência permanente nos EUA “a preços baixos”, além de ter “muitas fraudes”. Trump asseverou que o novo Golden Card terá mais privilégios que o Green Card, mas não entrou em detalhes.
Indagado por repórteres se seu Gold Card poderia facilitar a entrada de oligarcas russos no país, Trump concordou. “Sim, possivelmente. Eu conheço alguns oligarcas russos que são pessoas muito boas”, ele respondeu.
Programas semelhantes na Europa, que garantiam residência permanente a estrangeiros em troca da compra de imóveis caros, foram encerrados ou restringidos no Reino Unido, Espanha e Portugal, por recomendação da Comissão Europeia, que se declarou preocupada com a segurança interna e a lavagem de dinheiro.